Édipo Rei portenho 18 Dezembro, 2005
Posted by Monica Carvalho in Cinema.trackback
Ai, ai. Eu e minha mania de começar a ver um filme e não conseguir parar de ver. Sempre tenho esperança de que o diretor vai fazer algo pra recuperar as coisas. Mas que nada, cada vez piora mais e eu ali, sem largar o osso.
Bom, acabei de ver Vidas Privadas, filme argentino, dirigido por Fito Páez. É o mesmo Fito Páez, músico argentino, já bastante conhecido. Pois é, disseram pro cara que ele é muito bom, ele acreditou e resolveu dirigir um filme. As musiquinhas dele são até engraçadinhas, mas vá lá, pra dirigir um filme é necessário algo mais.
Pra começar o roteiro é ruim: olha que o tema tem mais de 2000 anos, mas nem assim. O filme é uma versão portenha de Édipo Rei, em que Édipo é Gael Garcia Bernal, o baixinho-sexy-amante-latino que é protagonista de todo filme falado em espanhol. Laio é um ex-militar, que foi bem ativo na ditadura argentina e Jocasta é Cecilia Roth (de Tudo por minha mãe, do Almodóvar). Sabe aquela história de pessoas certas no lugar errado, na historia errada com o diretor mais errado ainda?
Pra quem já ouviu falar da história de Édipo Rei, é fácil saber o que acontece. Édipo é separado da mãe ainda bebê. Num belo dia encontra Jocasta sem saber que ela é a própria. Claro que se apaixonam, claro que transam e voilá, descobre a merda toda depois. Pra fechar o show de merdas gratuito, Édipo vai lá e acaba matando o pai. Ok se Fito Páez fosse fiel ao texto grego. O pior é que pra transpor isso pros dias atuais ele faz um monte de loucura, mas vai justificar isso tudo na narrativa que ele criou? Jocasta/Carmen/Cecilia é uma mulher traumatizada com a tortura portenha, não consegue transar com ninguém e só sente tesão ouvindo um casal trepando enquanto se masturba. Pobre Carmencita… Édipo/Gustavo/Gael é modelo — enquanto o diretor se acha filósofo — e tira um troco por fora satisfazendo senhoras fogosas. Pá-pum, ele mata o pai. Ai, tô com preguiça de explicar tudo. De qualquer forma, foi pior que a novela da Glória Perez, pois havia um único núcleo e parecia que os textos dos personagens não se encontravam.
Putz, acho que Fito Páez devia ter aprendido a fazer alfajores, teria sido muito mais útil pra todos nós…
This movie tries, very unssucesfully, to be tragic. It’s the story of an argentinian woman who lived the tortures of the dictatorship, she has spent the last years in spain but returns to her country to see her dad, who is about to die…the trauma of the tortures has left her unable to mantain sexual contact with anyone, and she satisfies her needs by watching others having sex or, as in the movie, hiring a young model to read her dirty novels while she masturbates…All this, believe me, it’s ok…The story is not that bad until it transforms into a semi tragedy of edipian proportions, like out of a venezuelan soap opera…the directing touches of Paez don’t help at all…we have horrible music (like from a hitchcock film, completely out of place), a ridicoulus atmosphere of mistrust and thriller that has nothing to do with the theme of this movie…and a bunch of supporting characters that in their attemps to portray a heartbreaking inner pain will make you laugh…
[comentário feito por sofredor como eu, no site do IMDB]
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