Noiva e preconceito 10 Abril, 2007
Posted by Monica Carvalho in Cinema.trackback
Os sábios que profetizaram Kalyug advertiram que a velocidade conduziria a uma marcada preferência pela fantasia, em detrimento da realidade. Assim, se o teor da época sugere que não devemos ver nenhuma realidade, ouvir nenhuma realidade, falar nenhuma realidade, então talvez devêssemos observar um minuto de silêncio - quando mais não seja para contemplar os perigos de ser reciclado.
Gita Mehta, do livro “Carma-Cola”
Bride and Prejudice, a tradução foi literal. Acabei de assisiti-lo na HBO. À espera do horário de Greys Anatomy, acabei mergulhando de cabeça num Bollyhood movie.
Bride é uma comédia romântica indiana toda falada e cantada em inglês, realizada por Gurinder Chadha. Ela foi diretora de “Driblando o destino” ou Bend It Like Beckham, história de uma moça inglesa de origem indiana que queria ser jogadora de futebol.
Gurinder trabalha com temáticas e modelos pop, mas com pitadas de crítica social. É no mínimo inusitado. Assim, ela consegue fazer um filme muito interessante esteticamente, segue modelos politicamente corretos de produção cinematográfica, mas é extremamente irônico. Sinceramente, não consegui despregar o olho da TV desde a hora em que comecei a assisti-lo.
A história parece banal: mocinha indiana de família tradicional não quer casamento arranjado, pois quer casar com o amor de sua vida. Ela é linda, um tipo exótico tanto para os seus como para qualquer estrangeiro babão. Sua “única” diferença de uma mocinha típica de comédias românticas é que ela entende de política, história e, pasmem, é uma mocinha de esquerda. Ela é realmente exótica, pois consegue comparar a dança desengonçada de um indiano com green card que a pede em casamento, Mr Kholi, a um transe criativo de Jackson Pollock.
Os indianos são no mínimo interessantes. Eles são capazes de misturar coisas impensáveis a princípio e, dessa forma, criam um efeito aparentemente parecido com o que há, mas com um sabor bem diferente. Como o “risoto de carne” temperado com canela que comi em 1998 em Portugal, na casa de um moçambicano de origem indiana.
Trata-se da reciclagem do mundo “ocidental” pelo viés da Índia ou de um “oriente” revisto pelo olhar do oriental que já não vive mais onde nasceu. Nossa, isso parece complexo…
Abaixo uma cena musical sobre Mr Kholi que vale a pena.
EU TAMBÉM,GOSTEI MUITO DO FILME A NOIVA E PRECONCEITO QUE AGORA QUERO MUITO COMPRAR O FILME.