Crônica do "bom texto" 21 Abril, 2007
Posted by Monica Carvalho in Crônicas.trackback
Não se iludam aqueles que recebem um elogio por terem escrito bem um texto. Um bom texto é como um bronzeado de verão.
O bronzeado de verão permanece enquanto há sol para ir à praia. Ele não dura até o verão seguinte. Não me refiro ao bronzeado conseguido à custa de bronzeamento artificial. Falo do bronzeado que se adquire a partir de idas constantes à praia, nos horários em que o sol não esfola a pele. Assim, gradativamente, surge aquele tom dourado, mais claro ou mais escuro, que depende apenas do tom natural da pele.
Da mesma forma é o “bom texto”. Quando escrevemos bem um texto, isto não significa que todos os textos seguintes também o serão. Assim como o bronzeado de verão, o bom texto não transfere ao texto seguinte sua qualidade de bom texto. Isto porque, a qualidade da boa escrita não é “congênita” no escritor. Lembremos que a produção de um bom texto não se dá por mitose.
Embora haja pessoas que me considerem arrogante, ressalto que, receber elogios por ter escrito um bom texto, jamais me levou a pensar que tudo o que eu escrevesse, a partir de então, pudesse ser considerado bom. A cada texto que leio ou escrevo, vejo que ainda falta muito para que eu consiga escrever um texto realmente bom. Por mais leonina que eu seja, elogios não me levam à acomodação. Ao contrário, me levam a crer que algo muito melhor pode ser feito. A arrogância, talvez, se encontre no fato de que eu acredito que sou capaz de fazer algo muito melhor. Afinal, se eu acredito na capacidade de auto-superação dos seres humanos, porque não aplicar esta crença a minha própria vida?
O “bom texto” não é um troféu ou um diploma. Da mesma forma, ele também não é pré-requisito, nem degrau necessário à chegada ao andar superior da boa escrita.
Reparemos no sujeito “sarado” que acabou de sair da academia. Ele está encharcado de suor e fede. Se tivéssemos a oportunidade de vê-lo “malhando” nos aparelhos de musculação, veríamos suas caras e bocas, sinal do esforço físico que precisa fazer para manter-se como objeto de desejo de homens e mulheres. Contudo, se ele parar de se exercitar por três meses seus bícepes e trícepes perdem o vigor que tinham antes.
Eu estou pálida, com aquela cor “morena” amarelada que todos conhecem. Meus músculos estão vazios de sentido: se eu não me cuidar, meus joelhos vão começar a doer novamente. Meu texto ainda precisa ser exaustivamente “malhado” para que chegue perto do que eu considero realmente uma boa escrita. Mas, não vou pedir-lhes desculpas pelo fato de acreditar que posso conseguir um lindo bronzeado de verão, deixar meu corpo em forma ou escrever o melhor texto da minha vida.
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Quem te chamou de arrogante?? Queeeeeemmmmm?
Com certeza não te conhece bem e nem se deu ao trabalho. De fato não sabe se bronzear e com certeza vive na tua sombra.
Bom Portugal pra vc.
bj
Muqui