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Releituras 17 Março, 2008

Posted by Monica Carvalho in Crônicas, Leituras, Portugal.
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Não sou do tipo que relê livros. Já reli alguns contos, alguns trechos, alguns artigos, mas faço-o muito raramente. Contudo, às vezes, páro para reler-me. Gosto de ver como eu sentia ou pensava no passado. Confesso que ter um blog facilita muito as coisas.

Aqui no meu bairro eu sou. Sou porque fui e porque ainda serei no meu bairro. [...] O bairrismo é uma seita, mas também um talismã que nos defende das tragédias cotidianas. A crença neste amuleto me comove e me inspira.

Escrevi-o há pouco mais de dois anos neste blog. Naquela ocasião eu me descobri apaixonada pelo meu bairro, o lugar onde nasci e de onde nunca tinha saído. Não imaginava que pouco mais de um ano depois eu estaria longe, aqui em Coimbra.

Não sei se ainda serei no meu bairro e não estou numa fase nem um pouco bairrista. No meu atual bairro, sinto-me numa ilha, onde as pessoas e eventos me inspiram muito pouco. Os lugares que mais frequento, faço-o bem pouco: a padaria, quando quero tomar uma meia de leite e comer uma tosta mista, e a papelaria, onde compro envelopes, revistas e jornais.

O frio também deixa meu bairro meio triste. minha casa fica no topo de um grande vale, a Escola Agrária, onde venta muito, sempre. Percebo que não acredito no bairrismo, não neste meu atual bairro. Logo, hoje, o bairrismo deixou de ser uma seita, como disse há dois anos, para tornar-se uma religião: é apenas no bairro onde nasci, me criei e vivi até o ano passado que é possível haver crença no bairrismo.

Meu bairrismo é como o Deus de qualquer beata fanática religiosa: seu Deus é o único que presta.

Comentários»

1. Prof Gasparetto - 17 Março, 2008

Muito bom, gostei do teu blog!

permita-me colocar algumas palavras:

—-

I
Semeei teus cantos
seguindo-te em pegadas…
teu cheiro em cio
nos ventos me cativam em cativeiros!
Rolo pelas pedras
olho aos graus no horizonte perpetuum
e nos perdemos em pedaços!

II
Semeei teus beijos
molhando-te em madrugadas
o suor tomara conta da noite em claro
suspiros e calmarias…
fomos esculpidos somente
em porões, em abrigos
e nos perdemos em pecados!

III
semeei teus olhares
chorando-te como foz!
a brusca correnteza de lágrimas
espargiam em nossos corpos
a passagem pela batalhas rústicas
que em nossas camas travamos,
e nos perdemos pelos atos!

IV
Semeei teus orgamos
num cântico lúdico de varandas
o gosto do beijo em meio às brisas
descrevem sutilmente um raro prazer
que fragmenta saudade
que infelizmente um dia virá,
e nos perdemos em metades!

V
Semeei teus lábios
amando-te tão proibido forasteiro
os corações retumbam loucos
marchas de aventuras muitas
na coleção insana de um virtuoso amor
e nos perdemos por inteiro!

VI
Semeei em tua boca
todo o meu sêmen de história musa
e a descansar sobre teu éden
os músculos exaustos de uma dança,
num colo aos seios bebo-te infinitamente
e nos perdemos em extasia!

VII
Semeei em teu belo corpo
minha escultura antropos de ser
frisando teus jardins em meus olhares
e os teus gemidos em minha boca
procurando-te envaidecido gestos
e nos perdemos tão ilhados!

VIII
Semeei em tua história
toda minha força e cultura de milícia
sementes tão guardadas pelo tempo
criando sulcos filosóficos em teu coração,
num pensamento em te colher feito esposa minha
e me perdi, infelizmente, em algum templo pagão!

—————-
“…às vezes fico a vigiar o meu portão, para ver se alguma carta tua está a murmurar o meu nome!” (in Lâminas de Escribas)
Dom Gaspar I

—-

gostaria que me visitasse, ok?

http://profgasparetto21.wordpress.com/2008/03/08/varandas

———–

felicidades

Dom Gaspar I

2. Prof Gasparetto - 17 Março, 2008

te add no meu X-BLog

Dom Gaspar I

3. patrisia - 23 Março, 2008

se você tivesse escrito freguesia já estaria completamente portuguesa…rsrs….se calhar! Um grande beijo!

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