Encontros com Mia 28 Agosto, 2008
Posted by Monica Carvalho in Leituras, Literatura.1 comment so far
É meu segundo livro de Mia Couto e confirmo o que disse anteriormente: que “seu texto pode ser considerado uma espécie de prosa poética de altíssima qualidade que há muito tempo eu esperava ler”. Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra começa muito bem:
A morte é como o umbigo: o quanto nela existe é a sua cicatriz, a lembrança de uma anterior existência.
E é a partir de sua ligação com a morte, a de seu avô, que o protagonista da estória entra em contato com seu passado, sua origem, sua terra, tal como numa regressão.
O mar também é veículo da narrativa, tal como no primeiro livro que li, uma forma de desvendar as relações dos personagens uns com os outros e de se auto-conhecerem também.
À medida que eu for adentrando neste outro universo miacoutiano, digo qualquer coisa…
Liberdade de expressão 28 Março, 2008
Posted by Monica Carvalho in Comunicação, Jornalismo, Leituras.add a comment
Eu sei que liberdade de expressão é apenas expressar-se, mas imaginemos que eu seja presa por fazer críticas ao governo brasileiro ou ao governo português por causa de Nina e eu? Isto na Síria acontece. Abaixo, notícia a respeito, que apareceu hoje no Observatório da Imprensa.
Governo aperta cerco ao uso da internet
em 28/3/2008
A Síria apertou o cerco ao uso da internet no país, passando a impor uma maior monitoração sobre os internautas. Blogueiros críticos ao governo foram presos e sítios como o YouTube, bloqueados em nome da segurança nacional.
A CIA e a derrubada de governos 27 Março, 2008
Posted by Monica Carvalho in Leituras.add a comment
Ex-agente da cia: como os Estados Unidos financiam a derrubada de governos que atrapalham
Publicado em 26 de março de 2008 às 20:16, em Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha
No dia 22 de março de 2005 o site Venezuelanalysis.com publicou uma entrevista com o ex-agente da Central de Inteligência Americana (CIA) Philip Agee. Agee morreu em janeiro deste ano. Ele deixou a CIA em 1967, alegando que estava desiludido com o trabalho. “Eu comecei a me dar conta que o que eu e meus colegas estávamos fazendo na América Latina era continuação de quase 500 anos do mesmo, exploração, genocídio e assim por diante.”
Releituras 17 Março, 2008
Posted by Monica Carvalho in Crônicas, Leituras, Portugal.4 comments
Não sou do tipo que relê livros. Já reli alguns contos, alguns trechos, alguns artigos, mas faço-o muito raramente. Contudo, às vezes, páro para reler-me. Gosto de ver como eu sentia ou pensava no passado. Confesso que ter um blog facilita muito as coisas.
Escrevi-o há pouco mais de dois anos neste blog. Naquela ocasião eu me descobri apaixonada pelo meu bairro, o lugar onde nasci e de onde nunca tinha saído. Não imaginava que pouco mais de um ano depois eu estaria longe, aqui em Coimbra.
Não sei se ainda serei no meu bairro e não estou numa fase nem um pouco bairrista. No meu atual bairro, sinto-me numa ilha, onde as pessoas e eventos me inspiram muito pouco. Os lugares que mais frequento, faço-o bem pouco: a padaria, quando quero tomar uma meia de leite e comer uma tosta mista, e a papelaria, onde compro envelopes, revistas e jornais.
O frio também deixa meu bairro meio triste. minha casa fica no topo de um grande vale, a Escola Agrária, onde venta muito, sempre. Percebo que não acredito no bairrismo, não neste meu atual bairro. Logo, hoje, o bairrismo deixou de ser uma seita, como disse há dois anos, para tornar-se uma religião: é apenas no bairro onde nasci, me criei e vivi até o ano passado que é possível haver crença no bairrismo.
Meu bairrismo é como o Deus de qualquer beata fanática religiosa: seu Deus é o único que presta.
O escritor certo 18 Janeiro, 2008
Posted by Monica Carvalho in Leituras.add a comment
Tem exatamente um mês que não escrevo um post. Estou numa fase em que as idéias circulam rapidamente e muito pouco se fixam ao ponto de eu me sentar e conseguir escrever algo.
Em geral, quando tenho idéias é ao ler “A mulher certa”, do escritor húngaro Sándor Márai [traduzido aqui diretamente do húngaro!]. Há tempos que não lia algo tão bom. É um romance contado a partir de três pontos de vista, três monólogos. Márai era um sujeito que parecia ter uma enorme experiência de vida associada a uma incrível capacidade de observação das vicissitudes humanas. Mas, ao mesmo tempo, parece nos revelar também que nosso hábito de refletir sobre nós mesmos, essa auto-fagocitose mental insistente ou masturbação mental tão comum para muitos de nós, é um vício extremamente burguês, no sentido mais fundamental ou original da palavra “burguês”.
Apesar de tratar-se de um triângulo amoroso interessantíssimo, há momentos de ironia muito agradáveis, tal quando o homem da estória fala de sua amizade com seu melhor amigo escritor:
Inventamos muitos jogos. Havia o do senhor Kovács; esse vou contar-to, para perceberes que reações alimentávamos. Devia ser jogado no meio da sociedade, entre os senhores e as senhoras Kovács, em que atacávamos imprevistamente, sem preâmbulos, para apanhar os outros de surpresa. O que diz o senhor Kovács a outro senhor Kovács quando a conversa incide sobre a crise governamental, ou sobre o Danúbio que transborda e inunda várias aldeias, ou sobre o divórcio da célebre atriz, ou sobre o conhecido público apanhado a meter a mão na massa, ou sobre o grande paladino da moral suicidando-se num bordel?… Aí, o senhor Kovács faz hum. E diz: “Pois é assim, meu caro.” E sai-se, então, com uma enormidade, isto, por exemplo: “Uma das características da água é ser úmida.” Ou: “Uma das propriedades do pé humano é ficar molhado, quando imerso na água.” Ou diz: “Pois é assim, ou assado, meu caro.” Desde que o mundo é mundo, é assim que falam as senhoras e senhores Kovács. E se o comboio parte, dizem: “Partiu.”
Meanwhile, é preciso produzir: planejar minha pesquisa, fazer um paper para um congresso, outro para uma revista, revisar um terceiro que será publicado, entrar em contato com instituições etc. Ai, ai, só consigo ler meu adorável Márai à noite, antes de dormir…
Cinema e retrato de Portugal 11 Dezembro, 2007
Posted by Monica Carvalho in Cinema, Comentário, Leituras, Portugal.add a comment
Desde que vim para Portugal tento me manter em dia em relação às estréias cinematográficas. Costumo ir ao cinema pelo menos uma vez por semana. O preço é sempre menor que no Rio de Janeiro, de €$4 a €$5,50. No entanto, não é de hoje que reparo que a grande maioria das pessoas por aqui não liga muito para cinema. Houve vezes em que assisti a filmes sozinha e se não fosse por estar em Coimbra, eu talvez tivesse desistido por medo.
Pois bem, hoje estou lendo a publicação Retrato Territorial de Portugal - 2005, do Instituto Nacional de Estatística, que, entre muitas coisas, trata do tema “écrans por habitante”. Vê-se que de 2003 para 2004 houve aumento de salas de cinema, assim como de sessões. No entanto, a procura vem diminuindo e chegamos a uma taxa de ocupação que de modo geral não ultrapassa 25%.
A maior parte dos municípios com salas de cinema (115 dos 158) registaram taxas de ocupação inferiores a 25% e ainda em 26 municípios as taxas não chegaram a 10%.
Os números mostram bem aquilo que eu já tinha percebido. Resta saber o porquê. Ou os portugueses preferem ficar comendo bacalhau com batatas diante da TV ou o consumo de bens culturais por aqui ainda deixa muito a desejar, já que, mais a frente, vê-se que o mesmo acontece com a taxa de visitas aos museus.