Imprevisibilidade

Às vezes me assusto com minha capacidade de dizer coisas antes que elas aconteçam. Ontem coloquei palavras na “boca” do Cronenberg que foram praticamente proféticas. Relembrando:

Faça suas escolhas, ok? Não há como não fazê-las, sorry. Agora, ao fazê-las, não conclua precipitadamente sobre suas conseqüências, pois elas não são necessariamente previsíveis!

Por vezes nossa ótima intenção provoca efeitos tão desastrosos e aparentemente tão irreversíveis que é difícil saber exatamente como foi que o bolo solou, em que momento a massa desandou. Parece que a capacidade que temos de consertar o que já estava meio empenado se esgota mais ainda pelo simples fato de se tentar consertar.

Meu computador parafrasea os últimos acontecimentos da minha vida: tento recuperar os programas, restarto a máquina diversas vezes e parece que só piora. Para abrir programas e me conectar preciso “fingir” que vou restartar a máquina pois só no ctrl+alt+del consigo abrir IE e outlook, por exemplo. Meu computador está f*. Vou precisar reformatar o hd, reinstalar tudo e receio que eu perca todos os meus dados de email, contatos. Muita coisa não está no hd que vou precisar reformatar. Menos mal, mas, algo me diz que vou perder muitos dados importantes. Ainda assim, minha máquina tem solução…

O que me entristece, no que se refere à vida, é que não há como reformatar tudo, recomeçar do zero. As narrativas se superpõem, tal como nos filmes de Cronenberg e o avesso do avesso pode ser algo doloroso, bem diferente do direito, que deu início à história. Não há marcha à ré, não há ponto morto.

Como meu sábio pai me dizia quando criança:

Se um dia fores puxada pelo mar e não conseguires voltar para a areia, não te canses nadando e lutando contrta a corrente. Aguarda o mar acalmar boiando, pois mesmo que saibas nadar podes morrer afogada.

Bóio.

Sobre Monica Carvalho
Pelos motores de busca e por um comentário há tempos aqui no meu blog, imagino a quantidade de figuras que acham que o Nina e eu é o blog da modelo que posou nua na revista. Que desilusão ao perceber que a homônima aqui escreve muito sobre cinema, músicas estranhas, política e comunicação social, quando não escreve uns contos ou umas poesias. Aqui, caro leitor, não tem bundinha de fora, nem peitinho à mostra, nem pelos púbicos ou partes depiladas. Mas às vezes, acabo comentando acerca de umas safadezas que acontecem nesse nosso mundo doido de pedra. Algumas delas são mais indecentes que qualquer imagem de revista masculina. Ai, ai, mundo cruel, sobretudo para os internautas necessitados que na busca de uma fotinho pra aliviar as entranhas, têm que tocar o bicho com meus comentários sobre política internacional ou ao som do Tom Zé.

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