Somos todos possíveis

“O que disse é uma constatação do que vejo, de como o mundo se comporta diante do desespero humano. A não criação seria uma espécie de negação a toda forma de pasmaceira instalada no Real. O sujeito não espera mais, só desespera e a criação preenche todo o espaço vazio que não se localiza em nenhuma parte. Imaginemos, por exemplo, que o gato de botas, fosse um personagem de uma narrativa histórica, ao invés de ser o de uma história narrada, de que maneira suportaríamos pensar o fato de que o autor de algumas pegadas de sapatos no chão, não fosse humano? É insuportável ao gênero humano que o nada seja preenchido à revelia do que é compreendido como do homem. É como imaginar que o presidente do Estados Unidos é um extraterrestre.”
Jules Derrien

Em 03 de outubro de 1995 inventei dois personagens: Pirunatelli Malle e Jules Derrien. O primeiro, artista plástico italiano cuja matéria prima de suas obras eram dejetos de todo tipo. O segundo, fisioterapeuta e biólogo social que falava como filósofo e não podia ter outra nacionalidade senão a francesa. Coloquei ambos numa entrevista fictícia, discutindo uma exposição fictícia e falando de coisas inúteis, mas com aparência de algo interessante. É muito estranho perceber que parte do que foi escrito parece fazer algum sentido, apesar de meu enorme esforço em dizer algo desconexo, juro.

Tempos depois vi um arremedo de Pirunatelli no Eurotrash, um programa estranhíssimo que tinha na tevê, conduzido por Jean-Paul Gaultier e Antoine de Caunes. Não preciso dizer que a mistura dos apresentadores já era por si só uma bizarrice, digna de nossas CPIs. O tal artista plástico, real, trabalhava mesmo com fezes e estava expondo em algum lugar, nao sei se na Alemanha ou na Holanda (tinha que ser num desses países!).

Já Jules Derrien, pode ser lido diariamente dando entrevistas nos cadernos culturais dos nossos jornais, só que com outros “pseudônimos”. Tem um talento que eu invejo, pois se eu conseguisse pensar como eles, teria tornado um pouco mais verossímil meu filosofinho que recentemnte completou dez anos.

Sobre Monica Carvalho
Pelos motores de busca e por um comentário há tempos aqui no meu blog, imagino a quantidade de figuras que acham que o Nina e eu é o blog da modelo que posou nua na revista. Que desilusão ao perceber que a homônima aqui escreve muito sobre cinema, músicas estranhas, política e comunicação social, quando não escreve uns contos ou umas poesias. Aqui, caro leitor, não tem bundinha de fora, nem peitinho à mostra, nem pelos púbicos ou partes depiladas. Mas às vezes, acabo comentando acerca de umas safadezas que acontecem nesse nosso mundo doido de pedra. Algumas delas são mais indecentes que qualquer imagem de revista masculina. Ai, ai, mundo cruel, sobretudo para os internautas necessitados que na busca de uma fotinho pra aliviar as entranhas, têm que tocar o bicho com meus comentários sobre política internacional ou ao som do Tom Zé.

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