Ao boiar, aprecia-se o silêncio do mar

Aprendi a nadar quando criança, tinha de sete pra oito anos. Nunca competi, pois não gostava da idéia e não me achava tão veloz assim. Mas ficar na água sempre me deixou feliz e calma. Ao mergulhar dá-se conta dos limites, das barreiras da água, mais esforço precisamos fazer para chegar aos nossos objetivos. A água estimula o meu silêncio, pois quando afundo me sinto isolada de tudo lá fora: não há problemas, apesar de nada ser muito claro e nítido e isso me obriga a tentar ouvir-me ou silenciar-me. Talvez ambos sejam a mesma coisa…

No mar, a escuridão do fundo pode intimidar, mas não ligo e é comum que eu me atire para ver logo quão profundo é o mar em que estou. Como já disse em outro momento, boiar é uma forma de relaxar e também poupar forças para novas aventuras na água do mar, que por ser muito menos estável, salgada e incerta quanto ao que nela habita, nos obriga a respeitar os limites bem maiores que o mar nos impõe.

Estou na fase mais pisciana da minha vida: sinto um prazer incrível em ficar em casa com meus gatinhos; leio muito; divago sobre o que leio e sobre o que divaguei; tenho sonhado bastante; tenho estudado tarot, praticado e, não raro, acertado; não tenho vontade de frequentar lugares agitados e barulhentos; minhas músicas preferidas têm sido as mais tranquilas e as que me fazem pensar; aliás tudo me faz pensar e por isso tenho escrito freqüentemente.

Todo esse processo se parece com uma estranha “passagem”. Algo em mim já está mudando. Aparentemente sou a mesma Mônica, o cabelo já crescendo, o mesmo entusiasmo ao falar, o mesmo otimismo, mas uma sensação de expansão que nunca senti antes. Sabe lá onde vou parar… ou não.

“I won’t mind”

Sobre Monica Carvalho
Pelos motores de busca e por um comentário há tempos aqui no meu blog, imagino a quantidade de figuras que acham que o Nina e eu é o blog da modelo que posou nua na revista. Que desilusão ao perceber que a homônima aqui escreve muito sobre cinema, músicas estranhas, política e comunicação social, quando não escreve uns contos ou umas poesias. Aqui, caro leitor, não tem bundinha de fora, nem peitinho à mostra, nem pelos púbicos ou partes depiladas. Mas às vezes, acabo comentando acerca de umas safadezas que acontecem nesse nosso mundo doido de pedra. Algumas delas são mais indecentes que qualquer imagem de revista masculina. Ai, ai, mundo cruel, sobretudo para os internautas necessitados que na busca de uma fotinho pra aliviar as entranhas, têm que tocar o bicho com meus comentários sobre política internacional ou ao som do Tom Zé.

One Response to Ao boiar, aprecia-se o silêncio do mar

  1. Rey diz:

    Silenciar-se, escutar-se, divagar-se é necesário. Acho que o que vc passa são ritos de passagens comuns na nossa vida.
    Beijos
    Rey

    Ps: meu blog na uol:
    http://reynaldo-lopes.blog.uol.com.br/

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