Por favor, diretor, corta essa cena logo!

Ontem fui acordada e chamada de volta à realidade. Achei que fosse sábado, mas era apenas a terça-feira de uma semana quente do Rio. O tempo não passou nada. O pior é que sempre dizem que as dores curam com o tempo, não é mesmo? Hoje ainda é novembro de 2005 e tudo continua pior pra mim. Cada dia meu tem se transformado numa estranha mágica onde tudo parece possível e estranhamente legível. O minuto seguinte, a hora seguinte, o dia seguinte não representam mais o percurso natural do tempo como antes parecia me acontecer. O futuro me reserva sempre muitas surpresas e tenho receio disso, muito.

Engraçado como eu sempre adorei as surpresas e as quebras no meu cotidiano. Hoje, ou melhor, agora, rezo por um período de estabilidade. Nunca pensei em querer tanto, tão intensamente, que o mesmo permanecesse. Nunca desejei tanto que meus dias fossem iguais, que o esperado estivesse em seu lugar e que as surpresas estivessem a mil anos-luz de mim. Desejo descansar, mas não tem dado tempo, pois meu destino entrou em curto.

No final de outubro, comecei a atravessar uma larga avenida de mão-dupla, com sinal que fica vermelho por breves segundos. Não deu tempo de chegar ao outro lado e passou uma Besta sobre mim. Quando me levantava, ainda cambaleante, passaram algumas motocicletas que me deixaram tonta. Ainda tentando chegar ao meu destino, um ônibus escolar me deixou quebrada. Ainda me encontro no meio da rua, tentando atravessar, mas o sinal não fecha e os carros me deixaram em posição arriscada. Não sei se aguento mais um veículo passando sobre mim, muito menos um caminhão dirigido por um motorista embriagado. Não tenho condições de correr, não quero ficar parada, não sei voar. Até para respirar dói.

Quero ser uma pessoa comum, com dias comuns, que passa despercebida. Quero que o destino me esqueça. Quero não esperar nada do amanhã, além da possibilidade de acordar. Como meu pai me disse hoje: “eu preferia estar deitada embaixo da ponte”.

Sobre Monica Carvalho
Pelos motores de busca e por um comentário há tempos aqui no meu blog, imagino a quantidade de figuras que acham que o Nina e eu é o blog da modelo que posou nua na revista. Que desilusão ao perceber que a homônima aqui escreve muito sobre cinema, músicas estranhas, política e comunicação social, quando não escreve uns contos ou umas poesias. Aqui, caro leitor, não tem bundinha de fora, nem peitinho à mostra, nem pelos púbicos ou partes depiladas. Mas às vezes, acabo comentando acerca de umas safadezas que acontecem nesse nosso mundo doido de pedra. Algumas delas são mais indecentes que qualquer imagem de revista masculina. Ai, ai, mundo cruel, sobretudo para os internautas necessitados que na busca de uma fotinho pra aliviar as entranhas, têm que tocar o bicho com meus comentários sobre política internacional ou ao som do Tom Zé.

One Response to Por favor, diretor, corta essa cena logo!

  1. Reynaldo diz:

    Hello, hei, porra, vc tem amigos!
    Te amo.
    Beijos
    Rey

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