Média

Nunca gostei muito da palavra média. Estar na média significa que algo é o suficiente. Pode ser também a definição correta de medíocre, que tem sentido pejorativo quando a pronunciamos, pois nos remete a algo que está abaixo da média.

Quando utilizamos média para qualificar uma determinada classe social a coisa muda um pouco. Ser classe média parece ser ótimo para muitos, um verdadeiro prêmio frente a todo esforço que uma pessoa fez pra chegar onde chegou. Trata-se de uma situação mediana que lhe permite curtir um pouco, mas com menos folga que seus sonhos lhe permitem. Muitas vezes é visto como o ponto máximo do mérito por ter puxado um tapetinho aqui, outro lá. Afinal, o “homem é o lobo do homem”, disse Hobbes.

Contudo, se pensarmos bem, média é mesmo o suficiente, o mínimo. Socialmente isso significa que ser classe média seria o mínimo aceitável para uma sociedade minimamente desigual. Infelizmente, não é o que acontece conosco. A classe média faz de tudo para se manter onde está, mesmo que isso signifique cagar baldes na cabeça de quem está abaixo do mínimo.

Matéria do RJTV de hoje. Copacabana. No maior cartão postal do Rio de Janeiro existe um número crescente de pessoas dormindo na praia. São ambulantes e outros tantos que, acampados, aproveitam do espaço público como lhes convêm. Alguns caminhantes do calçadão são entrevistados. Os que aparecem são unânimes e fazem coro com a edição da matéria. Isto é um absurdo! Sujam as areias. Estragam a paisagem. Péssima imagem desse ponto turístico mundialmente conhecido! Por fim, Robson, amazonense que também dorme sobre a areia da praia também dá seu parecer: Vim pra assistir ao show dos Rolling Stones, gostei e acabei ficando mais um pouco. É, Robson tem o direito de gostar do Rio tanto quanto eu e os moradores do bairro entrevistados pelo telejornal. Aparentemente, Robson não tem em comum conosco mais do que ser brasileiro e amar esta cidade hospitaleira — eu sempre aprendi assim. Esse é o problema, a classe média se aborrece muito com aqueles que lhe tiram o que foi duramente conquistado, mesmo que seja apenas um espaço na areia, à noite, quando uma boa parte já está dormindo sob o edredon.

Média média. Quanto M.

Para fundamentar o que esta aqui vos fala, leia também a reportagem da Carta Capital ATOLEIRO BRASIL, de 8/3/06. Trata do novo livro do pesquisador Wanderley Guilherme dos Santos.

Sobre Monica Carvalho
Pelos motores de busca e por um comentário há tempos aqui no meu blog, imagino a quantidade de figuras que acham que o Nina e eu é o blog da modelo que posou nua na revista. Que desilusão ao perceber que a homônima aqui escreve muito sobre cinema, músicas estranhas, política e comunicação social, quando não escreve uns contos ou umas poesias. Aqui, caro leitor, não tem bundinha de fora, nem peitinho à mostra, nem pelos púbicos ou partes depiladas. Mas às vezes, acabo comentando acerca de umas safadezas que acontecem nesse nosso mundo doido de pedra. Algumas delas são mais indecentes que qualquer imagem de revista masculina. Ai, ai, mundo cruel, sobretudo para os internautas necessitados que na busca de uma fotinho pra aliviar as entranhas, têm que tocar o bicho com meus comentários sobre política internacional ou ao som do Tom Zé.

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