A Varig é brasileira… e minha mãe também!

Apesar de minha mãe ser uma das pessoas mais generosas e caridosas que conheço, ainda assim ela é minha mãe apenas. No meu caso, então, a situação é mais específica, pois eu sou filha única e não há mais ninguém que possa, por consideração, direito ou cromossomos compartilhados, ser também seu filho. Assim como minha mãe, a Varig não é uma empresa de todos, infelizmente.

Gregório, o ascensorista da faculdade em que trabalho, me disse que queria ir ao Ceará visitar sua família. Ele é do interior, um lugar que não é muito perto de Fortaleza. Eu lhe perguntei se não seria interessante ir de avião já que, hoje em dia, algumas passagens aéreas, em época de promoção, custam quase igual a uma passagem de ônibus.

– Pois é, Greg, você além disso economizaria no tempo: ao invés de três dias dentro de um ônibus, você gasta três horas e chega logo a Fortaleza. É comum até as empresas deixarem pagar em quatro, cinco, seis vezes iguais no cartão.

– Mas professora, são duas passagens: sou eu e minha esposa.

Ofereci-me para pesquisar os preços para ele. Fui no site de todas as empresas aéreas que conheço, inclusive o da Varig. Infelizmente os preços estavam proibitivos para qualquer trabalhador, isso em todas as companhias. Até mesmo nas que são comumente mais baratas e têm promoções interessantes não seria possível viajar. A Varig, porém, era a que tinha os piores preços. Disso eu já sabia desde o início, mas fui até o site deles assim mesmo, afinal, nunca se sabe, podia ser que eles estivessem mais “generosos” naquela semana. Que pena, pois dei esperanças para Gregório, e não consegui ajudá-lo.

– E então, professora, viu pra mim?

Gregório tinha ido à sala dos professores e superou uma timidez que só uma pessoa que fica cerca de seis horas confinada a um elevador com capacidade para sete seres humanos com índice de massa corpórea normal, é capaz de compreender. Acho que ele acabou passando férias no Rio mesmo. Se bobear, esbarrou comigo na feira de São Cristóvão um dia desses: ele devia estar comprando a goma para fazer a tapioca do café da manhã e eu repondo meu estoque de cocadas, sempre depois de me fartar com carne de sol, macaxeira e feijão de corda na barraca do Beto.

Pois é, minha mãe é brasileira, a Varig é brasileira e ambas não têm qualquer relação, nem de parentesco e muito menos de amizade, com Gregório. Que pena, pois minha mãe adoraria tê-lo conhecido e acredito que o próprio Gregório, com toda sua simpatia e bom humor teria achado minha mãe uma senhora muito simpática. A Varig, tenho certeza, adoraria ter Gregório como cliente fidelidade Smiles e ele teria ficado radiante e feliz da vida se tivesse visitado sua mãe no Ceará.

Embora eu seja cliente fidelidade Smiles; tenha viajado algumas vezes com a Varig para o exterior e no Brasil e, além disso, tenha 25000 milhas me implorando para serem trocadas imediatamente antes que expirem ou me seja negado o direito de trocá-las, não concordo que o governo — que arrecada impostos diretos e indiretos pagos por mim e por Gregório — ajude financeiramente pela enésima vez uma empresa que não consegue fazer aquilo que meu casal de gatos vira-latas faz com maestria: limpar a eme que faz diariamente.

Sobre Monica Carvalho
Pelos motores de busca e por um comentário há tempos aqui no meu blog, imagino a quantidade de figuras que acham que o Nina e eu é o blog da modelo que posou nua na revista. Que desilusão ao perceber que a homônima aqui escreve muito sobre cinema, músicas estranhas, política e comunicação social, quando não escreve uns contos ou umas poesias. Aqui, caro leitor, não tem bundinha de fora, nem peitinho à mostra, nem pelos púbicos ou partes depiladas. Mas às vezes, acabo comentando acerca de umas safadezas que acontecem nesse nosso mundo doido de pedra. Algumas delas são mais indecentes que qualquer imagem de revista masculina. Ai, ai, mundo cruel, sobretudo para os internautas necessitados que na busca de uma fotinho pra aliviar as entranhas, têm que tocar o bicho com meus comentários sobre política internacional ou ao som do Tom Zé.

One Response to A Varig é brasileira… e minha mãe também!

  1. Reynaldo diz:

    ADOREI, ADOREI, ADOREI, ADOREI….
    Definitivamente morri de tanto gargalhar aqui. Conheço vc há séculos, sua mãe há séculos iguais, a VARIG há um certo tempo e estou super a fim de encabeçar uma campanha para levar o seu Gregório e esposa à Fortaleza!!!!!
    Beijos, talentosa.
    Rey

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