Decifra-me ou te devoro!

Hiam Abbass, Natalie Portman e Hanna LasloAinda bem que não li O Código Da Vinci. Entre ficar um tempão lendo o livro e duas horas e meia sentada vendo o filme, neste caso, optei pelo segundo. Acho incrível como histórias mais-ou-menos conseguem ganhar tanta notoriedade. Imagina só quando lançarem Diário de um mago no cinema, nossa mãe, um livro que li numa tarde e do qual saí com a impressão de que nada mudou em mim após sua leitura.

O que me deixa realmente pensando é que histórias como Cem anos de Solidão , de García Márquez, ou Les yeux baissés, de Tahar Ben Jelloun, não se tornaram filmes ainda. Aliás, há uma lista de romances de Ben Jelloun que deveriam ser filmados, mas ninguém quer dar mais notoriedade ainda ao povo árabe, muito menos com boas histórias árabes sem bombas e terrorismo.

Por falar nisso, para compensar o fim de semana do Código, vi Free Zone. Benzadeus, filme bom esse do Amos Gitai, hein. Trata do encontro de três mulheres: uma palestina, uma israelense e outra meio-judia-americana. As atrizes são maravilhosas: Natalie Portman — sou cada vez mais fã dessa baixinha –, Hanna Laslo et Hiam Abbass. Hanna Laslo ganhou o prêmio de melhor atriz em Cannes e realmente a dona é um show. Pena que Amos Gitai pensa na questão árabe-palestina como uma discussão inconclusiva, uma porrada que não tem como deixar de comer solta sem qualquer perspectiva de final feliz, além de uma intransigência sem fim. Apesar disso, ele também mostra que quando se trata de fronteira, os árabes são muito mais simpáticos que os israelenses.

Abaixo, o link para ouvir uma das duas músicas do filme, maravilhosa aliás.
shotey hanevoa- ein ani

De qualquer forma, o tema fílmico central do meu fim de semana foi religioso. Mas fico feliz por não ter sido devorada inteiramente por toda a campanha de mídia que fez do livro de Dan Brown um enorme sucesso de vendas. Não há o que decifrar, neste caso. Diferente da questão proposta por Amos Gitai, cujo desfecho, este sim, é indecifrável.

Sobre Monica Carvalho
Pelos motores de busca e por um comentário há tempos aqui no meu blog, imagino a quantidade de figuras que acham que o Nina e eu é o blog da modelo que posou nua na revista. Que desilusão ao perceber que a homônima aqui escreve muito sobre cinema, músicas estranhas, política e comunicação social, quando não escreve uns contos ou umas poesias. Aqui, caro leitor, não tem bundinha de fora, nem peitinho à mostra, nem pelos púbicos ou partes depiladas. Mas às vezes, acabo comentando acerca de umas safadezas que acontecem nesse nosso mundo doido de pedra. Algumas delas são mais indecentes que qualquer imagem de revista masculina. Ai, ai, mundo cruel, sobretudo para os internautas necessitados que na busca de uma fotinho pra aliviar as entranhas, têm que tocar o bicho com meus comentários sobre política internacional ou ao som do Tom Zé.

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