Tematização ou reprise noticioso?

Alguns alunos têm dificuldade de perceber o que é tematização. Não sei o porquê, mas eu muitas vezes não entendo bem o motivo de os alunos não entenderem diversas coisas. Um amigo “mineiro”, e também professor como eu, talvez entenda melhor que eu.

Pois bem, tematização é colocar numa mesma página de jornal notícias não correlacionadas mas que acabam conduzindo a uma opinião sobre um mesmo assunto. Um exemplo: favela, PCC e violência urbana na mesma página. Ok, podem ser da mesma editoria, mas todas juntas, dependendo do “tom”, podem levar a uma determinada opinião sobre a criminalidade.

Tematização parece um déjà vu, mas não é uma falha na matrix.

Reparem as duas chamadas a seguir. Ambas estavam na primeira página do Globo Online agora à noite.

Avião da TAM perde porta em pleno vôo
Rodrigo Santoro começa a gravar o seriado ‘Lost’

A TAM é nossa empresa campeã de eventos aéreos estranhos, sobretudo com seu Fokker 100, avião pivô também de mais este episódio. Logo a seguir, vemos mais um de nossos atorzinhos tentando a vida nos EU. Ele vai ficar tão lost quanto as dezenas de personagens deste seriado que mais parece uma novela de Glória Perez, com direito a muitos personagens perdidos, desconectados do mundo real, sugerindo uma atmosfera espiritual por trás de toda a trama em torno da queda de um avião onde — creiam — uma cabeçada se salva (?).

Ai, ai, tudo isto pode ser complementado pela notícia, ainda na mesma página, sobre a entrevista da candidata Heloísa Helena, do PSOL, no Jornal Nacional. Nunca a defendi, nunquinha, mas a dona foi alvejada pela artilharia aérea da Globo, dirigida pelo casal nada flores do horário nobre. William Bonner, num ato-falho medonho, chegou a chamá-la de deputada, mas em seguida se desculpa e corrige para senadora.

Não considero que deva ser este o papel do entrevistador dos candidatos. Deve-se questionar a respeito de sua proposta de governo e isto, decididamente, não foi o foco da entrevista. Heloísa Helena virou mais um submarino amarelo afundante em frente às câmeras: é muito impulsiva para quem faz política, precisa ser um pouco mais cínica do que chamar Bonner e Fátima Bernardes de “meu amor”. Aliás, só muito amor é capaz de salvar esta senhora, Lost e algumas empresas aéreas brasileiras.

Sobre Monica Carvalho
Pelos motores de busca e por um comentário há tempos aqui no meu blog, imagino a quantidade de figuras que acham que o Nina e eu é o blog da modelo que posou nua na revista. Que desilusão ao perceber que a homônima aqui escreve muito sobre cinema, músicas estranhas, política e comunicação social, quando não escreve uns contos ou umas poesias. Aqui, caro leitor, não tem bundinha de fora, nem peitinho à mostra, nem pelos púbicos ou partes depiladas. Mas às vezes, acabo comentando acerca de umas safadezas que acontecem nesse nosso mundo doido de pedra. Algumas delas são mais indecentes que qualquer imagem de revista masculina. Ai, ai, mundo cruel, sobretudo para os internautas necessitados que na busca de uma fotinho pra aliviar as entranhas, têm que tocar o bicho com meus comentários sobre política internacional ou ao som do Tom Zé.

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