Shhhhhh….

Eu sempre achei melhor dizer aquilo que penso ao invés de dizer o contrário.

Nunca entendi o porquê de algumas pessoas dizerem x pensando y; ou azul, quando na verdade é vermelho; ou afirmarem que vale dez quando na verdade não vale nada. Compreendo que é um pensamento meio infantil de minha parte, no sentido de que crianças são os seres que mais dizem o que pensam e sentem. Mas, não sei ser diferente.

Eu acredito nas palavras, no estranho poder de iludirem e enganarem, de trazerem alegria, assim como tristeza. A tristeza das palavras ditas impulsivamente, sem pensar, me magoam menos que as palavras muito pensadas, com cuidado para não errar na concordância.

Nos últimos tempos, tenho optado por não dizer muita coisa, para não causar grandes mal entendidos. Deixo, assim, as coisas na superficialidade. Aproveito-me do fato de que há aqueles que preferem não falar a respeito do que sentem, e deixo tudo como está, contando com o esquecimento, com a força do tempo em tornar as coisas banais. Mas, para minha tristeza, há os que preferem dizer conjugando muito bem os verbos, com belos textos sobre o quanto você não é, por ter deixado de sê-lo ou até por nunca ter sido. Optam pelo descuido pensado e estrategicamente elaborado, pelo desleixo semântico do rancor sem sentido.

Por muito tempo, cheguei a pensar que atitudes assim são uma estranha marca de um dizer algo que não é dito, de que, no fundo, ironias e falta de carinho à parte, trata-se de uma estranha forma de a pessoa nos dizer o quanto se importa conosco. Contudo, não estou aqui para ler nas imponderáveis entrelinhas do não-dito que o contrário do que se sente pode estar sendo expresso ou que um não esteja estranhamente compondo uma frase que no fundo é afirmativa.

Se há o que dizer, que não se diga contrariamente ao que se pensa ou sente, pois daqui em diante me decidi pelo que é dito. Se não consegui-lo e temer ser incompreendido por não dizer claramente o que se passa, por favor, faça silêncio.

Sobre Monica Carvalho
Pelos motores de busca e por um comentário há tempos aqui no meu blog, imagino a quantidade de figuras que acham que o Nina e eu é o blog da modelo que posou nua na revista. Que desilusão ao perceber que a homônima aqui escreve muito sobre cinema, músicas estranhas, política e comunicação social, quando não escreve uns contos ou umas poesias. Aqui, caro leitor, não tem bundinha de fora, nem peitinho à mostra, nem pelos púbicos ou partes depiladas. Mas às vezes, acabo comentando acerca de umas safadezas que acontecem nesse nosso mundo doido de pedra. Algumas delas são mais indecentes que qualquer imagem de revista masculina. Ai, ai, mundo cruel, sobretudo para os internautas necessitados que na busca de uma fotinho pra aliviar as entranhas, têm que tocar o bicho com meus comentários sobre política internacional ou ao som do Tom Zé.

2 Responses to Shhhhhh….

  1. Renata Brant diz:

    Concordo com vc! As vezes as palavras pesam muito mais do que um simples tapa na cara. É aquelas ocasiões em que a gente sai falando o que quer, a lingua despara sem parar e as palavras fluem como bolha de sabão, mas neste caso, ao inves de serem bolhas de sabão fluem como tiros de chumbinho.
    Beijos!

  2. Flávia Galvão diz:

    Do alto de minha posição de dromedária, quero dizer que concordo. E digo mais, concordo pra cacete à beça. Adorei o post melancólico, de uma mente escrevente vigorosa e prenhe. Que venham muitas terças sabadais… enquanto isso vou ver se adquiro o hábito (tanto quanto minha conexão à lenha permita) de vir ver seu blog… assim fico mais perto… ou menos longe… mas sempre aí. Beijo!

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