Acho que começamos a nos tornar escritores quando pessoas que conhecemos passam a nos ler com regularidade, buscando, além de bons textos, uma forma alternativa de se aproximar um pouco mais de nós.

Ser escritor não deixa de ser um tipo de propaganda enganosa sobre um suposto personagem pensante em tempo integral — ele mesmo: o próprio escritor –, que trata com certo mimo o cotidiano, o que a grande maioria das pessoas, também supostamente, parecer olhar com displicência.

Há também o mito de que o escritor diz algo sobre alguma coisa de um modo organicamente óbvio sem que pareça sê-lo. Daí, talvez, o pensamento de que o escritor, para que se torne popular, deva ser óbvio em primeiro lugar, muitas vezes relegando para segundo plano a qualidade da não aparência de obviedade.

O escritor, no entanto, para além de tudo o que leitores e críticos pensam sobre o que ele escreve, precisa ter a crença, ou melhor, a fé de que ele tem uma especialidade. Seu esforço, portanto, está na sua produção, mas também na sua capacidade de espelhar esta fé em sua realidade. Sua crença deve ser partilhada e, principalmente, difundida, como um boato, um chiste ou uma piada. Afinal, não se diz por aí que toda brincadeira tem um fundo de verdade?

Por sinal, acho que eu estou começando a gostar dessa brincadeira…

Sobre Monica Carvalho
Pelos motores de busca e por um comentário há tempos aqui no meu blog, imagino a quantidade de figuras que acham que o Nina e eu é o blog da modelo que posou nua na revista. Que desilusão ao perceber que a homônima aqui escreve muito sobre cinema, músicas estranhas, política e comunicação social, quando não escreve uns contos ou umas poesias. Aqui, caro leitor, não tem bundinha de fora, nem peitinho à mostra, nem pelos púbicos ou partes depiladas. Mas às vezes, acabo comentando acerca de umas safadezas que acontecem nesse nosso mundo doido de pedra. Algumas delas são mais indecentes que qualquer imagem de revista masculina. Ai, ai, mundo cruel, sobretudo para os internautas necessitados que na busca de uma fotinho pra aliviar as entranhas, têm que tocar o bicho com meus comentários sobre política internacional ou ao som do Tom Zé.

One Response to

  1. Reynaldo diz:

    E eu já to viciado há anos nessa brincadiera de palavras escritas e lidas.
    Beijos
    Rey

    PS: sou um dos seus leitores assíduos…

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