Noiva e preconceito

Os sábios que profetizaram Kalyug advertiram que a velocidade conduziria a uma marcada preferência pela fantasia, em detrimento da realidade. Assim, se o teor da época sugere que não devemos ver nenhuma realidade, ouvir nenhuma realidade, falar nenhuma realidade, então talvez devêssemos observar um minuto de silêncio – quando mais não seja para contemplar os perigos de ser reciclado.

Gita Mehta, do livro “Carma-Cola”

Bride and Prejudice, a tradução foi literal. Acabei de assisiti-lo na HBO. À espera do horário de Greys Anatomy, acabei mergulhando de cabeça num Bollyhood movie.

Bride é uma comédia romântica indiana toda falada e cantada em inglês, realizada por Gurinder Chadha. Ela foi diretora de “Driblando o destino” ou Bend It Like Beckham, história de uma moça inglesa de origem indiana que queria ser jogadora de futebol.

Gurinder trabalha com temáticas e modelos pop, mas com pitadas de crítica social. É no mínimo inusitado. Assim, ela consegue fazer um filme muito interessante esteticamente, segue modelos politicamente corretos de produção cinematográfica, mas é extremamente irônico. Sinceramente, não consegui despregar o olho da TV desde a hora em que comecei a assisti-lo.

A história parece banal: mocinha indiana de família tradicional não quer casamento arranjado, pois quer casar com o amor de sua vida. Ela é linda, um tipo exótico tanto para os seus como para qualquer estrangeiro babão. Sua “única” diferença de uma mocinha típica de comédias românticas é que ela entende de política, história e, pasmem, é uma mocinha de esquerda. Ela é realmente exótica, pois consegue comparar a dança desengonçada de um indiano com green card que a pede em casamento, Mr Kholi, a um transe criativo de Jackson Pollock.

Os indianos são no mínimo interessantes. Eles são capazes de misturar coisas impensáveis a princípio e, dessa forma, criam um efeito aparentemente parecido com o que há, mas com um sabor bem diferente. Como o “risoto de carne” temperado com canela que comi em 1998 em Portugal, na casa de um moçambicano de origem indiana.

Trata-se da reciclagem do mundo “ocidental” pelo viés da Índia ou de um “oriente” revisto pelo olhar do oriental que já não vive mais onde nasceu. Nossa, isso parece complexo…

Abaixo uma cena musical sobre Mr Kholi que vale a pena.

Sobre Monica Carvalho
Pelos motores de busca e por um comentário há tempos aqui no meu blog, imagino a quantidade de figuras que acham que o Nina e eu é o blog da modelo que posou nua na revista. Que desilusão ao perceber que a homônima aqui escreve muito sobre cinema, músicas estranhas, política e comunicação social, quando não escreve uns contos ou umas poesias. Aqui, caro leitor, não tem bundinha de fora, nem peitinho à mostra, nem pelos púbicos ou partes depiladas. Mas às vezes, acabo comentando acerca de umas safadezas que acontecem nesse nosso mundo doido de pedra. Algumas delas são mais indecentes que qualquer imagem de revista masculina. Ai, ai, mundo cruel, sobretudo para os internautas necessitados que na busca de uma fotinho pra aliviar as entranhas, têm que tocar o bicho com meus comentários sobre política internacional ou ao som do Tom Zé.

One Response to Noiva e preconceito

  1. MARA diz:

    EU TAMBÉM,GOSTEI MUITO DO FILME A NOIVA E PRECONCEITO QUE AGORA QUERO MUITO COMPRAR O FILME.

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