Sunset

Há filmes aos quais eu estranhamente me apego como se fossem uma compota de doce de abóbora com côco. O primeiro filme ao qual me apeguei assim foi Harold and Maude (1971) — “Ensina-me a viver” na versão brasileira. O segundo é Finding Forrester (2000) ou “Procurando Forrester”.

A primeira vez em que assisti Harold eu tinha talvez uns nove anos — eu devo tê-lo visto umas seis ou sete vezes. Bud Cort é Harold, um rapaz rico e muito mimado, que tem verdadeira obsessão pela morte. Ele vive simulando suicídios e chega a transformar em rabecão o jaguar que sua mãe lhe dá de presente. A fabulosa Ruth Gordon era Maude, uma velhinha cheia de vida, imprevisível, com mutas histórias, mentiras e idéias mirabolantes. Ambos se conhecem em um funeral e por razões diferentes acabam comutados por um ideal: o de amarem-se. A diferença entre os atores era de 52 anos, mas no filme parecia até mais. A trilha sonora era de Cat Stevens e depois desse filme eu tive muita vontade de aprender a tocar banjo.

Forrester eu assisti há pouco tempo, mas hoje o revi com tanta emoção como se nunca o tivesse visto antes. Sean Connery é Forrester e o jovem ator Rob Brown é Jamal. Forrester é um velho escritor de um único livro que foge alucinadamente dos holofotes da mídia, dos críticos e dos editores. Jamal é um jovem negro super inteligente e ótimo jogador de basquete, cujo talento literário Forrester descobre e como um diamante resolve lapidá-lo.

Descobri hoje porque ambos me fascinaram tanto. Ambos, num jogo dialético a partir do encontro de um indivíduo muito jovem com outro muito velho, apontam para a possibilidade de um resultado existencial tranformador, que supera o ineroxável acontecimento da morte.

Abaixo as músicas dos filmes.

Harold and MaudeDon’t be shy, de Cat Stevens, que há uns anos mudou seu nome para Yusuf Islam (veja a letra também). A música aparece logo no início do filme, numa cena memorável de um de seus muitos “suicídios”, que pode ser vista no YouTube.

Finding ForresterSomewhere Over The Rainbow-What A Wonderful World, versão bem original do havaiano Israel Kamakawiwo’ole (letra conhecida mas…)

Sobre Monica Carvalho
Pelos motores de busca e por um comentário há tempos aqui no meu blog, imagino a quantidade de figuras que acham que o Nina e eu é o blog da modelo que posou nua na revista. Que desilusão ao perceber que a homônima aqui escreve muito sobre cinema, músicas estranhas, política e comunicação social, quando não escreve uns contos ou umas poesias. Aqui, caro leitor, não tem bundinha de fora, nem peitinho à mostra, nem pelos púbicos ou partes depiladas. Mas às vezes, acabo comentando acerca de umas safadezas que acontecem nesse nosso mundo doido de pedra. Algumas delas são mais indecentes que qualquer imagem de revista masculina. Ai, ai, mundo cruel, sobretudo para os internautas necessitados que na busca de uma fotinho pra aliviar as entranhas, têm que tocar o bicho com meus comentários sobre política internacional ou ao som do Tom Zé.

One Response to Sunset

  1. reynaldo diz:

    esse negócio de diferença de idade é maior balela kkkkkkkkkkkkkk
    Bj
    Rey

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: