Fados

Sábado assisti a Fados, novo do Carlos Saura. Sinceramente: médio. A proposta de fazer um documentário encenado para mim foi o melhor de tudo. Porém, teve falhas que foram muito reprováveis.

A proposta do filme era mostrar o modo como o fado acaba por ser representado em outros ritmos e países, na maioria ex-colônias portuguesas. Fico cá a pensar o porquê de algumas escolhas artísticas, tais como: Toni Garrido com sua voz muito fraca cantando modinha/lundu/sambinha; a cantora mexicana Lila Downs, que, diga-se de passagem, eu amo, mas não entendi a presença cantando um fado rumbado num português de fazer chorar; Caetano cantando “Estranha forma de vida” num agudo que era só falsete, totalmente prescindível, mais parecia uma estranha forma de vida; excesso de coreografias e de Mariza. Mas, o mais grave mesmo foi a ignorância completa do cineasta quanto a dois representantes do fado essenciais na cultura fadista portuguesa: Carlos Paredes e o Fado de Coimbra.

Quanto ao primeiro, suspeito que a ignorância pode ter sido uma teimosia, uma recusa deliberada, pois não creio que Saura não conheça Carlos Paredes. Paredes foi um dos maiores guitarristaS que Portugal já ouviu. Para completar, ele compôs a principal música de um de filme de Paulo Rocha, “Verdes Anos”, título tanto da música como do filme.

A ausência do fado de Coimbra também foi lamentável. É um fado tocado sobretudo pelos estudantes da Universidade de Coimbra, que, vestidos com suas capas pretas, ficam à porta da Sé Velha, e nas ruas e becos da parte antiga da cidade, com suas guitarras afinadas diferentemente do fado de Lisboa (fado da Amália, do Carlos do Carmo etc).

Algumas interpretações e algumas relações do fado com outros ritmos foram realmente excelentes: a Morna caboverdiana; Chico Buarque com seu “Fado Tropical” e precedido por “Grandola, Vila Morena”, do Zeca Afonso; Mariza cantando um fado flamenco em dupla com Miguel Poveda; Camané, excelente fadista português que eu vi dar uma canja na “Tasca do Xico”, no Bairro Alto, em Lisboa; Fernando Meireles tímido como sempre tocando sua sanfona ao lado de Catarina Moura.

Na tentativa de consertar o estrago, segue o link para ouvir a “Canção dos Verdes Anos”, por Carlos Paredes.
Ou, então, faça o download da música.

Sobre Monica Carvalho
Pelos motores de busca e por um comentário há tempos aqui no meu blog, imagino a quantidade de figuras que acham que o Nina e eu é o blog da modelo que posou nua na revista. Que desilusão ao perceber que a homônima aqui escreve muito sobre cinema, músicas estranhas, política e comunicação social, quando não escreve uns contos ou umas poesias. Aqui, caro leitor, não tem bundinha de fora, nem peitinho à mostra, nem pelos púbicos ou partes depiladas. Mas às vezes, acabo comentando acerca de umas safadezas que acontecem nesse nosso mundo doido de pedra. Algumas delas são mais indecentes que qualquer imagem de revista masculina. Ai, ai, mundo cruel, sobretudo para os internautas necessitados que na busca de uma fotinho pra aliviar as entranhas, têm que tocar o bicho com meus comentários sobre política internacional ou ao som do Tom Zé.

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