Locked-in

L’imagination et la mémoire sont mes deux seuls moyens de m’évader de mon scaphandre.
Jean-Dominique Bauby

O ponto de vista é quase sempre o do personagem principal, a partir de seu único órgão de comunicação com o meio exterior: o olho esquerdo. A câmera embaçada é o lento acordar de Jean-Dominique Bauby de um coma de três semanas. Em off, uma voz que recita os pensamentos perfeitamente encadeados do editor chefe da Elle francesa que, após um acidente vascular cerebral, é acometido pelo que seu médico lhe explica como sendo uma locked-in syndrome.

Bauby é refém de seu corpo falido. Está inteiro por dentro. Memória, raciocínio, leitura, escrita, audição, visão, inteligência, emoção, está tudo lá, embora trancado. Graças ao esforço de sua ortofonista, ele pode se comunicar através de um sistema em que soletra-se o alfabeto enquanto ele escolhe as letras com uma piscadela. “Je veux mourir”, uma de suas primeiras frases. Mais uma vez a câmera embaça: Bauby chora.

O filme é O escafandro e a borboleta (Le scaphandre et le papillon), homônimo do livro de Bauby, escrito a piscadelas. Ganhador em Cannes como melhor realizador de 2007, o diretor Julian Schnabel não parece ter feito certas opções cinematográficas apenas por questões estéticas. Ele tenta nos colocar um pouco na situação de desconforto em que o protagonista se encontra. Basta 1 hora e meia desse desconforto virtual para causar espanto em quem realiza muito menos na vida e tem a felicidade de ter no mínimo a maioria dos movimentos do corpo. A experiência é bem interessante e, principalmente, emocionante.

Destaque para o elenco de primeiríssima com o excelente Mathieu Amalric no papel principal e a belíssima Marie-Josée Croze, como a ortofonista.

A seguir o trailler oficial.

Sobre Monica Carvalho
Pelos motores de busca e por um comentário há tempos aqui no meu blog, imagino a quantidade de figuras que acham que o Nina e eu é o blog da modelo que posou nua na revista. Que desilusão ao perceber que a homônima aqui escreve muito sobre cinema, músicas estranhas, política e comunicação social, quando não escreve uns contos ou umas poesias. Aqui, caro leitor, não tem bundinha de fora, nem peitinho à mostra, nem pelos púbicos ou partes depiladas. Mas às vezes, acabo comentando acerca de umas safadezas que acontecem nesse nosso mundo doido de pedra. Algumas delas são mais indecentes que qualquer imagem de revista masculina. Ai, ai, mundo cruel, sobretudo para os internautas necessitados que na busca de uma fotinho pra aliviar as entranhas, têm que tocar o bicho com meus comentários sobre política internacional ou ao som do Tom Zé.

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