Releituras

Não sou do tipo que relê livros. Já reli alguns contos, alguns trechos, alguns artigos, mas faço-o muito raramente. Contudo, às vezes, páro para reler-me. Gosto de ver como eu sentia ou pensava no passado. Confesso que ter um blog facilita muito as coisas.

Aqui no meu bairro eu sou. Sou porque fui e porque ainda serei no meu bairro. […] O bairrismo é uma seita, mas também um talismã que nos defende das tragédias cotidianas. A crença neste amuleto me comove e me inspira.

Escrevi-o há pouco mais de dois anos neste blog. Naquela ocasião eu me descobri apaixonada pelo meu bairro, o lugar onde nasci e de onde nunca tinha saído. Não imaginava que pouco mais de um ano depois eu estaria longe, aqui em Coimbra.

Não sei se ainda serei no meu bairro e não estou numa fase nem um pouco bairrista. No meu atual bairro, sinto-me numa ilha, onde as pessoas e eventos me inspiram muito pouco. Os lugares que mais frequento, faço-o bem pouco: a padaria, quando quero tomar uma meia de leite e comer uma tosta mista, e a papelaria, onde compro envelopes, revistas e jornais.

O frio também deixa meu bairro meio triste. minha casa fica no topo de um grande vale, a Escola Agrária, onde venta muito, sempre. Percebo que não acredito no bairrismo, não neste meu atual bairro. Logo, hoje, o bairrismo deixou de ser uma seita, como disse há dois anos, para tornar-se uma religião: é apenas no bairro onde nasci, me criei e vivi até o ano passado que é possível haver crença no bairrismo.

Meu bairrismo é como o Deus de qualquer beata fanática religiosa: seu Deus é o único que presta.

Sobre Monica Carvalho
Pelos motores de busca e por um comentário há tempos aqui no meu blog, imagino a quantidade de figuras que acham que o Nina e eu é o blog da modelo que posou nua na revista. Que desilusão ao perceber que a homônima aqui escreve muito sobre cinema, músicas estranhas, política e comunicação social, quando não escreve uns contos ou umas poesias. Aqui, caro leitor, não tem bundinha de fora, nem peitinho à mostra, nem pelos púbicos ou partes depiladas. Mas às vezes, acabo comentando acerca de umas safadezas que acontecem nesse nosso mundo doido de pedra. Algumas delas são mais indecentes que qualquer imagem de revista masculina. Ai, ai, mundo cruel, sobretudo para os internautas necessitados que na busca de uma fotinho pra aliviar as entranhas, têm que tocar o bicho com meus comentários sobre política internacional ou ao som do Tom Zé.

4 Responses to Releituras

  1. Prof Gasparetto diz:

    Muito bom, gostei do teu blog!

    permita-me colocar algumas palavras:

    —-

    I
    Semeei teus cantos
    seguindo-te em pegadas…
    teu cheiro em cio
    nos ventos me cativam em cativeiros!
    Rolo pelas pedras
    olho aos graus no horizonte perpetuum
    e nos perdemos em pedaços!

    II
    Semeei teus beijos
    molhando-te em madrugadas
    o suor tomara conta da noite em claro
    suspiros e calmarias…
    fomos esculpidos somente
    em porões, em abrigos
    e nos perdemos em pecados!

    III
    semeei teus olhares
    chorando-te como foz!
    a brusca correnteza de lágrimas
    espargiam em nossos corpos
    a passagem pela batalhas rústicas
    que em nossas camas travamos,
    e nos perdemos pelos atos!

    IV
    Semeei teus orgamos
    num cântico lúdico de varandas
    o gosto do beijo em meio às brisas
    descrevem sutilmente um raro prazer
    que fragmenta saudade
    que infelizmente um dia virá,
    e nos perdemos em metades!

    V
    Semeei teus lábios
    amando-te tão proibido forasteiro
    os corações retumbam loucos
    marchas de aventuras muitas
    na coleção insana de um virtuoso amor
    e nos perdemos por inteiro!

    VI
    Semeei em tua boca
    todo o meu sêmen de história musa
    e a descansar sobre teu éden
    os músculos exaustos de uma dança,
    num colo aos seios bebo-te infinitamente
    e nos perdemos em extasia!

    VII
    Semeei em teu belo corpo
    minha escultura antropos de ser
    frisando teus jardins em meus olhares
    e os teus gemidos em minha boca
    procurando-te envaidecido gestos
    e nos perdemos tão ilhados!

    VIII
    Semeei em tua história
    toda minha força e cultura de milícia
    sementes tão guardadas pelo tempo
    criando sulcos filosóficos em teu coração,
    num pensamento em te colher feito esposa minha
    e me perdi, infelizmente, em algum templo pagão!

    —————-
    “…às vezes fico a vigiar o meu portão, para ver se alguma carta tua está a murmurar o meu nome!” (in Lâminas de Escribas)
    Dom Gaspar I

    —-

    gostaria que me visitasse, ok?

    http://profgasparetto21.wordpress.com/2008/03/08/varandas

    ———–

    felicidades

    Dom Gaspar I

  2. Prof Gasparetto diz:

    te add no meu X-BLog

    Dom Gaspar I

  3. patrisia diz:

    se você tivesse escrito freguesia já estaria completamente portuguesa…rsrs….se calhar! Um grande beijo!

  4. Pingback: Bairrismo reeditado « Nina e Eu 2.0 [do Porto]

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