Deliciosas noites de mirtilo

Eu sempre soube que blueberry era blueberry, ou seja, aquela frutinha roxo-azulada que os ingleses usam pra fazer uns bolinhos deliciosos. Pois aqui em Portugal blueberry é mirtilo. Mas não foi esse o nome usado aqui, no título em português do último filme do Wong Kar Wai, My Blueberry Nights.

O filme, tem Norah Jones, ótima, em super estréia como atriz, as maravilhosas Natalie Portman e Rachel Weisz e o Jude “tasty” Law. A boa surpresa ficou para o David Strathairn, desconhecido para mim, e excelente no papel de policial-apaixonado-auto-destrutivo.

Uma característica que eu acho interessante no Wong Kar Wai é como ele torna o espectador íntimo dos personagens. Todos, aliás, são sempre muito complexos e mais profundos do que na maioria dos filmes atualmente. Ele trabalha muito com close-ups, muito intensos para os atores, que têm que ser excelentes, pois a esta distância é difícil enganar quem quer que seja. Por isso, ele faz questão de trabalhar com quem nasceu para convencer. Até mesmo quem faz cenas rápidas, parece muito bom.

A trilha sonora, para variar, é sempre divina e com o “detalhe” de que é do Ry Cooder, ou seja, muito blues. Ouça, por exemplo, “Try a little tenderness” na box azul ao lado, muito conhecida por nós pela versão do The Commitments, mas aqui com a original do Ottis Redding, autor do clássico. Sem palavras…

As cores também são sua marca. Pelo titulo do filme já se vê que ele carrega nos vermelhos e todas as suas variações. E a noite marca a luz ambiente predominante de seus cenários bem urbanos, embora ele apele sempre para veículos bem tradicionais de comunicação entre seus personagens. Afinal, alguém imagina, hoje em dia, amar sem telefone, nem email? Wong Kar Wai parece adorar refletir o anacrônico.

Fora que o roteiro, putz, nem se fala, doce e um pouco azedo, como o mirtilo; doce e sofrido como a suave voz de Norah Jones cantando “The Story”.

Delícia de película…

Abaixo veja o trailler passado na Inglaterra, melhor que o dos EUA…

Sobre Monica Carvalho
Pelos motores de busca e por um comentário há tempos aqui no meu blog, imagino a quantidade de figuras que acham que o Nina e eu é o blog da modelo que posou nua na revista. Que desilusão ao perceber que a homônima aqui escreve muito sobre cinema, músicas estranhas, política e comunicação social, quando não escreve uns contos ou umas poesias. Aqui, caro leitor, não tem bundinha de fora, nem peitinho à mostra, nem pelos púbicos ou partes depiladas. Mas às vezes, acabo comentando acerca de umas safadezas que acontecem nesse nosso mundo doido de pedra. Algumas delas são mais indecentes que qualquer imagem de revista masculina. Ai, ai, mundo cruel, sobretudo para os internautas necessitados que na busca de uma fotinho pra aliviar as entranhas, têm que tocar o bicho com meus comentários sobre política internacional ou ao som do Tom Zé.

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