Adaptação

John Laroche: Who’s gonna play me?
Susan Orlean: Well, I’ve gotta write the book first, John. Then, you know, they get somebody to write the screenplay.
John Laroche: Hey, I think I should play me.

Não sei como você conseguiu se adaptar aqui…
Minha mãe me pergunta surpresa.

Aliás, esta é uma surpresa comum entre a maioria das pessoas que me encontram em Portugal. Digo, porém, que não há segredo. Creio que tudo é uma questão de aceitar as coisas tal como elas insistem em ser e, melhor, desfrutá-las no que elas têm de bom.

Pode parecer um lugar-comum o que vou dizer, mas não há lugar que tenha tudo de que precisamos e gostamos. Aqui em Portugal há muitas coisas boas que no Brasil não existem. E no Brasil há também muitas coisas boas que aqui passam longe. Apesar disto ser lugar-comum, nem sempre sentimos as coisas desta maneira. Aliás, há coisas na sabedoria popular cujas verdades simplesmente não nos damos conta.

Você fala Brasil diferente. É tipo Braehzil
Minha mãe repara, disfarçando certa contrariedade.

O modo como eu falo ou escrevo “actualmente” também acaba por refletir a aceitação do meu destino, que me trouxe para cá há um ano e meio. Ao mesmo tempo, sinto como se Coimbra ou Porto, as cidades em que tenho vivido desde então, fossem como quaisquer outras que têm um mínimo de infraestrutura para mim. No final das contas, parece mais uma divisão em que o resto é zero.

Susan Orlean: There are too many ideas and things and people. Too many directions to go. I was starting to believe the reason it matters to care passionately about something, is that it whittles the world down to a more manageable size.

Apesar da mudança no cenário, em minha história escrevo apenas mais um capítulo. Claro que é um capítulo em que, em breve, uma nova e importante personagem vai mudar muita coisa na narrativa. Esta sim, vai exigir um grande esforço de adaptação…

Sobre Monica Carvalho
Pelos motores de busca e por um comentário há tempos aqui no meu blog, imagino a quantidade de figuras que acham que o Nina e eu é o blog da modelo que posou nua na revista. Que desilusão ao perceber que a homônima aqui escreve muito sobre cinema, músicas estranhas, política e comunicação social, quando não escreve uns contos ou umas poesias. Aqui, caro leitor, não tem bundinha de fora, nem peitinho à mostra, nem pelos púbicos ou partes depiladas. Mas às vezes, acabo comentando acerca de umas safadezas que acontecem nesse nosso mundo doido de pedra. Algumas delas são mais indecentes que qualquer imagem de revista masculina. Ai, ai, mundo cruel, sobretudo para os internautas necessitados que na busca de uma fotinho pra aliviar as entranhas, têm que tocar o bicho com meus comentários sobre política internacional ou ao som do Tom Zé.

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