Leitura

Ontem acabei de ler Ensaio sobre a cegueira, do José Saramago. Era para tê-lo acabado um dia antes, mas, na parte final do livro, houve uma “cena” que me deixou um bocado tensa e eu comecei a imaginá-la no cinema. O problema nem foi este, mas sim que Isabel deve ter ficado muito tensa também e quando eu me dei conta ela parecia estar encolhidinha cá em cima na barriga, entre as costelas e o coração. Fiquei com peninha da minha pequena e resolvi deixar as três últimas folhas para o dia seguinte. Afinal, também já era quase uma da madrugada…

O livro é excelente! Além de o mote ser genial, Saramago consegue nos envolver em uma leitura frenética, que até mesmo uma grávida ensonada é capaz de se manter ligada. Já havia tempos que eu queria ler a obra. Lembro que alguns alunos me indicaram-na quando dava o curso Cultura Visual. Mas, agora, não tive como fugir, pois encontrei-o a um bom preço na livraria e, além disso, o filme estréia semana que vem aqui em Portugal.

[Há filmes que me recuso a ver antes de ler o livro, sentiria-me um bocado traíra se o fizesse. Foi o que aconteceu com o Senhor dos Anéis, por exemplo, e agora com o filme do Fernando Meirelles.]

Saramago é uma figura meio ambígua aqui em Portugal. Conheço quem diga explicitamente que não gosta mesmo dele e outros que o adoram. Percebo que no olhar que se faz sobre ele, mesclam-se o artista, suas obras e, em particular, sua pessoa. Ele é uma figura com idéias muito particulares acerca de Portugal e da Europa e o fato de ele ter se auto-exilado nas Ilhas Canárias, claramente por convicções políticas, também incomoda os portugueses.

Contudo, não se pode negar sua genialidade. Aliás, seria sem sentido fazê-lo. E não é por causa de seu prêmio Nobel que o digo. Saramago reúne uma capacidade narrativa incontestável – de tirar o fôlego! – e um olhar sobre o humano extremamente aguçado, crítico e sensível. Confesso que não tenho formação para tecer críticas mais profundas a seu respeito, pois confesso que me apaixonei por Ensaio… e quando há paixão, é verdade que ficamos um bocado cegos…

By the way, recentemente houve a pré-estréia do filme em Lisboa, com presença do próprio autor. Fiquei impressionada com o que ele disse sobre o livro. Em outras palavras ele se confessou emocionado com o trabalho de Fernando Meirelles, tal como aconteceu ao terminar seu próprio livro.

Sem mais comentários…

Sobre Monica Carvalho
Pelos motores de busca e por um comentário há tempos aqui no meu blog, imagino a quantidade de figuras que acham que o Nina e eu é o blog da modelo que posou nua na revista. Que desilusão ao perceber que a homônima aqui escreve muito sobre cinema, músicas estranhas, política e comunicação social, quando não escreve uns contos ou umas poesias. Aqui, caro leitor, não tem bundinha de fora, nem peitinho à mostra, nem pelos púbicos ou partes depiladas. Mas às vezes, acabo comentando acerca de umas safadezas que acontecem nesse nosso mundo doido de pedra. Algumas delas são mais indecentes que qualquer imagem de revista masculina. Ai, ai, mundo cruel, sobretudo para os internautas necessitados que na busca de uma fotinho pra aliviar as entranhas, têm que tocar o bicho com meus comentários sobre política internacional ou ao som do Tom Zé.

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