Corpo e espírito

Esta semana um professor católico que trabalha aqui no instituto falava a uma aluna acerca das relações corpo-espírito, em particular do modo como o espírito sofre os constrangimentos do corpo. Este tema está longe de ser uma novidade para mim. Em minha formação ecumênica sempre me deparei com esta questão. Mas, nunca, creio eu, me senti, eu-espírito, tão profundamente suscetível às vicissitudes impostas pelo meu corpo.

Não é simplesmente a idade, mas eu diria que é sim a idade e meu atual status de adulta-madura-responsável-independente-profissional-mãe-consciente-espiritualizada-decidida-autônoma-imigrante-cidadã que pesa toneladas sobre a minha alma. A vida, com tudo o que tenho direito – dia-a-dia, responsabilidades, corpo, relações, hemisfério do planeta, continente, distâncias, timing, karma, parece estar conspirando para a minha própria redenção espiritual. Logo, estou física, psíquica e espiritualmente muito cansada. No entanto, o corpo cansado e a vida sobrecarrecaga deixam qualquer espírito inseguro e reticente. Isto não é nada comparado com muitos descaminhos que existem por aí. Mas, a cada um seus próprios passos e fardos.

Claro que já estive cansada na minha vida. Isto já me aconteceu várias vezes. Contudo, hoje, preocupo-me mais com meu bem-estar físico e mental que antes, pois existe Isabel.

Ontem, por exemplo, me peguei preocupada com a possibilidade de eu vir a lhe faltar antes de ela ser adulta. Se isto acontecer, acredito que ela ficará muito bem com o pai, mas preocupo-me com as outras pessoas que podem diretamente influenciar na sua educação. Eu sei que estou longe de ser o exemplo perfeito de ser humano para ela. Mas, garanto, minha idéia de educação envolve um conjunto de aspectos que sei que a maior parte dos que ficarem ao seu lado não ligarão nem um pouco. Mas, também sei, este tipo de preocupação é apenas uma das muitas vicissitudes que meu corpo impõe ao meu espírito.

O que me vale agora é que reuno um arsenal de idéias, vivências, técnicas, livros, músicas, reflexões, conhecimentos deste e d’outro mundo que me levam a ver tudo ainda de forma otimista e confiante. Além disso, a cada dia que acordo, respiro fundo e oro para que tudo corra bem até o final do dia. Ah, e é claro, vejo Isabel sorrindo e tudo fica muito diferente.

Não sei como fazem os que não crêem em nada para além deste mundo e nem têm alguém que amem. Mas, suspeito de que seja o psiquiatra que acabe virando o centro de suas atenções…

Sobre Monica Carvalho
Pelos motores de busca e por um comentário há tempos aqui no meu blog, imagino a quantidade de figuras que acham que o Nina e eu é o blog da modelo que posou nua na revista. Que desilusão ao perceber que a homônima aqui escreve muito sobre cinema, músicas estranhas, política e comunicação social, quando não escreve uns contos ou umas poesias. Aqui, caro leitor, não tem bundinha de fora, nem peitinho à mostra, nem pelos púbicos ou partes depiladas. Mas às vezes, acabo comentando acerca de umas safadezas que acontecem nesse nosso mundo doido de pedra. Algumas delas são mais indecentes que qualquer imagem de revista masculina. Ai, ai, mundo cruel, sobretudo para os internautas necessitados que na busca de uma fotinho pra aliviar as entranhas, têm que tocar o bicho com meus comentários sobre política internacional ou ao som do Tom Zé.

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