Memórias: parte um ou fase Papisa

Ontem eu tive a oportunidade de conhecer um adolescente sobredotado, como se diz em Portugal. Tem quinze anos, muito alto, simpático, aparentemente um adolescente comum. Contudo, sua mente não parava, nem seus olhos ou sua cabeça e interrompia com certa frequência a fala das pessoas. Pensei com meus botões que ele pode até ser sobredotado, mas deve ter um déficit de atenção ali no meio e uma infantilidade que também o atrapalha em seus relacionamentos pessoais.

Desde ontem, não por acaso, lembrei de mim quando criança e adolescente. Não, eu não fui e nem sou sobredotada. Nem nunca me vi assim. Mas carreguei um certo estigma de “inteligente” por ter aprendido a ler sozinha e ter que usar óculos ainda no jardim-de-infância. Além disso, tal como o rapazinho, era imatura e tinha imensa dificuldade em lidar com as pessoas. Eram poucos meus amigos e nem sempre minhas diversões preferidas pareciam agradar àqueles que tinham a mesma idade que eu. Ainda assim, eu tentava ser como todos: brincava, ia a reuniões, festas mas não era raro que algum assanhado percebesse minha singularidade e me elegesse como vítima preferida. Na época não se sabia o que era o bullying, mas eu já respirava este conceito.

Quando criança eu era doida para crescer logo, até que aos dez anos mudei de escola, pois os melhores alunos das escolas municipais iam para o Colégio Pedro II. Sinceramente, acho que o CPII me salvou. Quando cheguei lá encontrei muita gente parecida comigo, uns mais estranhos, outros mais divertidos, mas todos pareciam querer falar a mesma língua que eu ou, ao menos, entendiam mais ou menos aquilo que eu dizia. Ufa, pensei, afinal eu não sou a pessoa mais estranha que há no mundo. Bem, acho que eu não era mesmo, mas também não ficava assim muito longe.

Aos 14 anos eu lia sem parar. Em geral lia o que me caía nas mãos, mas aos poucos, fui elegendo a parapsicologia como minha leitura preferida. Já havia revistas para adolescentes românticas, com hormônios nos píncaros. E eu realmente era bem romântica, é verdade, mas eram as casas mal-assombradas, os fenómenos paranormais, as visões, as cartas Zenner e uma infinidade de temas similares que mexiam comigo e me levavam às livrarias, bibliotecas e palestras sobre o assunto. Acho que foi por isso que minha primeira faculdade foi Psicologia. Não havia nada mais próximo e era o que eu podia ter.

Entre os 14 anos e minha entrada na universidade, aos 17, eu tive, por exemplo, aulas de Filosofia no colégio. Nessa época eu realmente já estava muito avançada nas minhas pesquisas acerca da mente humana, do pensamento etc, e não dava para aceitar com muita paciência uma aula de Filosofia dada pelo padre que tinha dado religião da quinta à oitava série e tentado me converter ao seu bizarro cristianismo. Além disso, eu era dessas alunas que lia o livro no início do ano letivo e vi que aquele professor, em um ano de aulas, simplesmente ignorou uma série de escolas filosóficas e não deu muito mais que alguns pré-socráticos e um aristótelesinho meio mais ou menos. Hoje, lembrando daquela perda de tempo com o padre Sebastião – era esse o nome do professor, que nem parecia má pessoa, veja só, mas era mesmo limitado como professor de religião e filosofia –, vejo que ele não teria tido condições intelectuais e emocionais de dar uns trechos dos diálogos de Platão sobre o Amor em Banquete, muito menos citar um dos muitos aforismos do Nietzsche ou falar das indagações de Bachelard sobre a ciência. Bom, se tinha e não fazia, olha, então nem boa pessoa ele era.

Foi numa aula de Filosofia que eu recebi minha única advertência na caderneta do Colégio. Até então minha atuação vinha sendo impecável em termos de comportamento em sala com professores e alunos. Mas eu achava as aulas do padre Sebastião um acinte a tudo o que eu vinha estudando e ao me método autodidático de estudo sobre as coisas e o mundo. Eu era arrogante, é verdade, e a personalidade insegura do professor também não colaborava.

Eu também buscava uma estranha forma de auto-conhecimento em relação à qual eu via que a maioria dos meus colegas, amigos e professores passava simplesmente ao largo. Era algo entre Santo Agostinho e tudo aquilo que eu vinha lendo e, nesse sentido, o oculto acabava atuando como personagem principal das minhas sagas pessoais e aventuras intelectuais.

De um jeito meio Papisa, estranho para uma menina adolescente, acabei por chegar ao mundo dos adultos. Aí chegando, porém, muita coisa acabou se alterando, embora eu seja apaixonada pelos roteiros do Charlie Kaufman e ainda me identifique com os personagens labirínticos do Woody Allen, que eu descobri ainda na infância.

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Portugal, o Estado e a falta de jeito

Há tempos venho refletindo sobre o Estado e a mentalidade do cidadão em Portugal. Obviamente que isto dá muitas teses de doutorado e não consigo expor tudo o que há num post. Mas vamos ao que me interessa…

Sou brasileira e na minha vida, efetivamente, o Estado brasileiro esteve realmente muito presente na minha educação. Só. Nunca contei com o Estado para muito mais além disso. Nos outros campos onde o Estado esteve envolvido durante os 36 anos e meio em que lá vivi, de modo geral, tem sido mal sucedido. É verdade que tivemos uns 30 anos de ditadura, mas não percebo este estado autoritário como bem sucedido do ponto de vista de sua influência na minha vida cotidiana, pois, exceto mesmo pela minha educação, como disse, nunca contei com o estado para mais nada.

Fico realmente aparvalhada quando formam-se vários movimentos que receiam uma “espécie de comunismo” no Brasil. Sinceramente, não vejo qualquer possibilidade de haver estado comunista ou algo que se assemelhe no Brasil. Parece incrível o que vou dizer, mas a estrutura do “jeitinho” que nos parece um defeito quando vamos aos países desenvolvidos é também um trunfo que temos. O “jeitinho brasileiro” é a possibilidade de contínua e imprevisivelmente reverter o fluxo das coisas e alterar os resultados. Nos dias de hoje, não há nada mais original e à frente do tempo. No Brasil, temos é que aprender a utilizar isto de modo a integrar a todos, para construirmos uma nação forte. Ressaltando: nação e não Estado forte. Isto porque a idéia do “jeitinho” seria muito interessante se utilizada com vistas ao coletivo também e não voltada exclusivamente para o ganho pessoal – até porque, do ponto de vista pessoal, no Brasil, sempre foram muito poucos os que ganharam com este “jeitinho”.

Estado forte, provedor, presente, tal como na Inglaterra, França… e até em Portugal pode ter tido seu lado bom. Mas acho que precisamos de um lugar no meio entre a ausência e a enorme presença do Estado. A ausência do estado causa danos à cidadania muito difíceis de lidar. Pode-se ver isto na história do Brasil e, atualmente, vemos o extremo do Haiti. Contudo, creio que sua presença maciça também causa muitos “traumas”.

Como conciliar interesse pessoal e coletivo? Sinceramente, não sei ainda, estou na busca de entender esta questão. Já sabemos que a resposta não está nem no comunismo e nem no liberalismo. Mas sei que, aqui em Portugal, paira um ranço de uma história que insiste em se reinventar e me leva a temer meu futuro e o de minha filha. Não há nada o que temer especificamente, pessoalmente, nenhuma ameaça, se é isso que se quer saber. Mas eu temo por não saber lidar com o fato de que o Estado aqui é previsível quanto a sua disposição em dificultar as coisas e tomar partido no nosso lugar.

Além disso, em Portugal, há uma postura de inflexibilidade que independe de partidos políticos ou de posição social, que independe da figura de poder que lá esteja, pois parece ter penetrado na alma de grande parte dos que nasceram e foram criados aqui. Admiro cada vez mais meu pai que, ao ver este cenário reproduzido dentro da sua casa, resolveu dispor do futuro de modo mais criativo para si e, consequentemente, também para mim. E é provável que minha filha também tenha muito a ganhar com isto.

Decididamente, falta jeito a Portugal. Dava-lhe jeito, como se diz por aqui. Acho que os que tem esta espécie de jeito vão-se embora. Talvez eles pensem, tal como Eça de Queiróz, que Portugal não é um país, mas apenas um sítio, um lugar e, em última instância, uma espécie de feudo onde já existe senhor e nada mais se pode fazer além da mera vassalagem.

A história vem com o tempo

Em novembro de 2009, eu escrevi aqui neste blog um artigo que, salvo pequenas alterações, também foi publicado no Observatório da Imprensa no dia 10 de novembro. Neste, eu dizia que:

[…] o suposto receio do avesso da democracia ou de um regime autoritário, expressado em outros canais, para além do editorial do Estadão, parece mais um desejo de que isto assim se dê. De fato, a maioria dos da minoria, que hoje reclamam, colaborou em anteriores governos autoritários. Logo, não creio que, para esta minoria, a democracia seja realmente o melhor dos mundos.

A idéia não era fazer defesa do atual governo, entretanto parecia previsível que havia qualquer ranso pré-64 no ar, muito embora eu não fizesse parte do mundo dos vivos nesta época e não saiba narrar o sentimento que pairava então.

Pois bem, creio que vale a pena a leitura da bela análise de conjuntura feita por Luís Carlos Azenha em seu blog. Por conjuntura quero dizer as relações entre os meios de comunicação e o poder.

Outra coisa, mas ainda no mesmo sentido.

Para além disso, assusta-me que algumas pessoas que aprecio e conheço pessoalmente estejam observando as coisas por vieses ultra-direitistas e lulofóbicos. Para mim, toda aversão obscurece o pensamento e bitola a alma. Não sou petista, não sou de esquerda, nunca fui comunista, nem militante de coisa alguma. Minha causa é humana acima de tudo: pela paz dos corpos, dos espíritos e pela boa convivência entre tudo e todos. Vivo em busca disto e com base nisto educo minha filha.

Sê teu filho

Estou na sala. Vejo tevê, o filme Mentes que brilham, da Jodie Foster que, pelo título, pensava que era o do gênio esquizofrênico. Ok, a confusão começa a não ser tão má.

Isabel sassarica pela sala. A cada x tempo ela pára o que faz e me observa. Olha nos meus olhos, eu lhe devolvo o olhar e sorrio. Ela me devolve o sorriso e continuamos a fazer o que fazíamos: ela volta a sassaricar e eu a ver o filme da Jodie Foster. O filme, porém, não me absorve ao ponto de eu não pensar e me pego a imaginar a importância dos meus olhares e sorrisos a cada vez que Isabel me observa. Vê-se facilmente o valor que tem para ela aqueles breves instantes de atenção e troca.

Amar também é ter atenção aos pequenos detalhes, é um bater de cílios na direção certa. A onda tissunami emocional que isto gera é incompatível com a linguagem e com quaisquer experiências prévias.

Viver a maternidade é mesmo um presente único que a vida nos concede.

Um 2010 vivido plenamente, é o que desejo a todos.

Leitura de um Brasil: o inferno da minoria maioral

Estou fora do Brasil há apenas dois anos e meio, mas me impressionam algumas idéias de quem está no país.

Um exemplo. Após ler o editorial de hoje do Estadão, indicação do Senador Cristovam Buarque,  fico espantada com o modo como Lula e a possível reeleição do PT, através de Dilma Rousseff, ameaçam uma “minoria”. Até porque foi justamente essa mesma “minoria” que, indiretamente, “permitiu”, pode-se dizer, a primeira vitória de Lula. Lembro-me perfeitamente que o próprio Fernando Henrique Cardoso, nas entrelinhas, conduzia a esse processo e mesmo os veículos de comunicação pareceram incrivelmente levantar bandeira branca, deixando de criticar demasiadamente o candidato petista em 2002. A questão foi que o candidato, após eleito e reeleito, cresceu de tal forma que saiu do controle dessa “minoria”. Sobre isto, recordo inclusive de uma entrevista de Franklin Martins à Caros Amigos, após a reeleição de Lula, em que afirmava que a “era da pedra no lago” tinha acabado.

Para mim é evidente que até o primeiro mandato de Lula havia certo controle sobre o que se fazia no governo. Contudo, após a reeleição, no jogo do poder, Lula passou a ter mais vantagem. Agora, a antiga “minoria” padece incrivelmente do “mal” de ser minoria de fato, diante de um apoio popular que supostamente extrapola qualquer controle que antes se exercia mais facilmente. Logo, vejo que o suposto receio do avesso da democracia ou de um regime autoritário parece mais um desejo de que isto assim se dê, afinal, a maioria dos da minoria que hoje reclama colaborou em anteriores governos autoritários. Não creio que para a minoria a democracia seja realmente o melhor dos mundos.

Democracia, porém, pressupõe imprevisibilidades, na medida em que a escolha é feita pela maioria, como consequência de uma luta em que, no mínimo, duas partes querem o mesmo, mas só uma ganha.

Uma coisa nisso tudo acho que é boa: a minoria talvez comece a perceber que deve aprender a fazer oposição, já que até então não sabia exatamente o que isso era. A história do Brasil seguia sempre a cartilha da alternância do poder que, como uma ladainha, chegava sempre ao mesmo lugar, sempre ocupado pela minoria. Porém, agora, precisam gastar muito mais que saliva, tinta e bytes para convencer milhões de votantes que, ao invés de Lula ser a encarnação do anticristo, serão eles mais capazes de governar para a maioria.

De Maitê a Saramago

Duas polêmicas fizeram do mês de outubro de 2009 o mês das ofensas em Portugal, atingindo em cheio o português no que tem de mais arraigado: orgulho e fé.

É verdade que é bem comum que um povo seja orgulhoso do que é, mesmo com todos os problemas que tenha uma nação. O português, porém, carrega um fardo que é a história do que foi Portugal, com uma saudade do que, a princípio, não é factível que ele venha ser. Bom, ninguém precisa ser a China ou os EUA, ao menos não novamente. E é neste novamente que dá aquele complexo de inferioridade de anjo decaído com o qual ninguém gosta de conviver.

Por falar nisto, a fé católica em Portugal é algo que já faz parte da lusitanidade. As razões históricas são profundas, meio óbvias e não cabem neste post. Mas o fato é que, por aqui, falar mal de algo que tenha a ver com a Igreja é falar mal de Portugal e, por extensão, do ser português. Isto não seria estranho se o Estado português não fosse auto-declaradamente laico. Portugal não é Israel, Irã e outros tantos estados cuja crença religiosa faz parte da lógica de governo. Até porque, é bom lembrar, no 25 de abril o país teve uma revolução comunista, não é verdade? Sim, mas, a lógica marxista não entrou “com bola e tudo”. Por isso, não admira que, no canal de televisão do Estado, haja até mesmo um programa de notícias da Igreja Católica.

Quanto à Maitê Proença não pretendo dar grandes vôos acerca da polêmica sobre o videozinho da atriz. Ela profanou história, cultura e fé portuguesas, logo, não espanta muito o resultado de sua infâmia. Mas, sinceramente, ela não merece grandes comentários. Muito menos a reação de marido traído que se teve em Portugal, pois um pouco de superioridade não teria feito mal a ninguém. Contudo, tenho que dizer que me senti particularmente ofendida pela atriz que, ao invés de se desculpar por sua falta de, sei lá, quase tudo, justifica seu comportamento com a frase “brasileiro é assim mesmo”. Diante disso, só posso concluir que seu problema é estrutural, o que a torna a atriz mais talentosa na arte de ofender povos.

Enfim, passemos ao melhor: Saramago. Afinal, nem se compara Maitê com Saramago. Isto porque, diferente do trabalho da Maitê, considero o trabalho do Nobel um dos mais respeitáveis.

Bem, Saramago é um escritor português ateu que se auto-exilou nas Canárias. Isto por si só já seria um prato cheio por aqui. Saramago, porém, foi mais longe e, no lançamnto de seu último romance, Caim, afirmou que a Bíblia é um manual de maus-costumes e que seríamos pessoas melhores se a Bíblia não existisse. Sua ênfase é sobre o Velho Testamento, o que levou a reações do bispado e de representantes do Judaismo.

Desta maneira, “em directo”, em plena hora do jantar e no telejornal das oito, a lusitanidade sofreu golpes profundos. Primeiro de uma atriz que em Portugal era muito querida. Depois, de um compatriota que se recusa a viver em território português por convicção política e que considera a fé católica prescindivel.

A desmesura, em ambos os casos, leva-nos a pensar que há algo mais profundo do que a mera aparência é capaz de nos mostrar. Na polêmica de Saramago, porém, fica mais evidente o modo como a fé católica faz parte do “ser português”. Um eurodeputado chegou a declarar que o escritor deveria abdicar de sua nacionalidade portuguesa, tal como ameaçou fazê-lo quando seu “O evangelho segundo Jesus Cristo” também foi pivô de outra grande polêmica envolvendo política e igreja. Neste contexto, sua veemente recusa à fé católica é vista como recusa à própria nacionalidade portuguesa.

Não sei, mas às vezes, desconfio que a idéia de um povo “escolhido” é uma questão mais séria do que se imagina e, pior, mais comum também…

Corpo e espírito

Esta semana um professor católico que trabalha aqui no instituto falava a uma aluna acerca das relações corpo-espírito, em particular do modo como o espírito sofre os constrangimentos do corpo. Este tema está longe de ser uma novidade para mim. Em minha formação ecumênica sempre me deparei com esta questão. Mas, nunca, creio eu, me senti, eu-espírito, tão profundamente suscetível às vicissitudes impostas pelo meu corpo.

Não é simplesmente a idade, mas eu diria que é sim a idade e meu atual status de adulta-madura-responsável-independente-profissional-mãe-consciente-espiritualizada-decidida-autônoma-imigrante-cidadã que pesa toneladas sobre a minha alma. A vida, com tudo o que tenho direito – dia-a-dia, responsabilidades, corpo, relações, hemisfério do planeta, continente, distâncias, timing, karma, parece estar conspirando para a minha própria redenção espiritual. Logo, estou física, psíquica e espiritualmente muito cansada. No entanto, o corpo cansado e a vida sobrecarrecaga deixam qualquer espírito inseguro e reticente. Isto não é nada comparado com muitos descaminhos que existem por aí. Mas, a cada um seus próprios passos e fardos.

Claro que já estive cansada na minha vida. Isto já me aconteceu várias vezes. Contudo, hoje, preocupo-me mais com meu bem-estar físico e mental que antes, pois existe Isabel.

Ontem, por exemplo, me peguei preocupada com a possibilidade de eu vir a lhe faltar antes de ela ser adulta. Se isto acontecer, acredito que ela ficará muito bem com o pai, mas preocupo-me com as outras pessoas que podem diretamente influenciar na sua educação. Eu sei que estou longe de ser o exemplo perfeito de ser humano para ela. Mas, garanto, minha idéia de educação envolve um conjunto de aspectos que sei que a maior parte dos que ficarem ao seu lado não ligarão nem um pouco. Mas, também sei, este tipo de preocupação é apenas uma das muitas vicissitudes que meu corpo impõe ao meu espírito.

O que me vale agora é que reuno um arsenal de idéias, vivências, técnicas, livros, músicas, reflexões, conhecimentos deste e d’outro mundo que me levam a ver tudo ainda de forma otimista e confiante. Além disso, a cada dia que acordo, respiro fundo e oro para que tudo corra bem até o final do dia. Ah, e é claro, vejo Isabel sorrindo e tudo fica muito diferente.

Não sei como fazem os que não crêem em nada para além deste mundo e nem têm alguém que amem. Mas, suspeito de que seja o psiquiatra que acabe virando o centro de suas atenções…