Leitura de um Brasil: o inferno da minoria maioral 5 Novembro, 2009
Posted by Monica Carvalho in Brasil, Comunicação, Jornalismo, Leituras, Política.add a comment
Estou fora do Brasil há apenas dois anos e meio, mas me impressionam algumas idéias de quem está no país.
Um exemplo. Após ler o editorial de hoje do Estadão, indicação do Senador Cristovam Buarque, fico espantada com o modo como Lula e a possível reeleição do PT, através de Dilma Rousseff, ameaçam uma “minoria”. Até porque foi justamente essa mesma “minoria” que, indiretamente, “permitiu”, pode-se dizer, a primeira vitória de Lula. Lembro-me perfeitamente que o próprio Fernando Henrique Cardoso, nas entrelinhas, conduzia a esse processo e mesmo os veículos de comunicação pareceram incrivelmente levantar bandeira branca, deixando de criticar demasiadamente o candidato petista em 2002. A questão foi que o candidato, após eleito e reeleito, cresceu de tal forma que saiu do controle dessa “minoria”. Sobre isto, recordo inclusive de uma entrevista de Franklin Martins à Caros Amigos, após a reeleição de Lula, em que afirmava que a “era da pedra no lago” tinha acabado.
Para mim é evidente que até o primeiro mandato de Lula havia certo controle sobre o que se fazia no governo. Contudo, após a reeleição, no jogo do poder, Lula passou a ter mais vantagem. Agora, a antiga “minoria” padece incrivelmente do “mal” de ser minoria de fato, diante de um apoio popular que supostamente extrapola qualquer controle que antes se exercia mais facilmente. Logo, vejo que o suposto receio do avesso da democracia ou de um regime autoritário parece mais um desejo de que isto assim se dê, afinal, a maioria dos da minoria que hoje reclama colaborou em anteriores governos autoritários. Não creio que para a minoria a democracia seja realmente o melhor dos mundos.
Democracia, porém, pressupõe imprevisibilidades, na medida em que a escolha é feita pela maioria, como consequência de uma luta em que, no mínimo, duas partes querem o mesmo, mas só uma ganha.
Uma coisa nisso tudo acho que é boa: a minoria talvez comece a perceber que deve aprender a fazer oposição, já que até então não sabia exatamente o que isso era. A história do Brasil seguia sempre a cartilha da alternância do poder que, como uma ladainha, chegava sempre ao mesmo lugar, sempre ocupado pela minoria. Porém, agora, precisam gastar muito mais que saliva, tinta e bytes para convencer milhões de votantes que, ao invés de Lula ser a encarnação do anticristo, serão eles mais capazes de governar para a maioria.
De Maitê a Saramago 22 Outubro, 2009
Posted by Monica Carvalho in Comunicação, Jornalismo, Jornalismo em Portugal, Política, Portugal, Religião, Saramago, Televisão Portuguesa.add a comment
Duas polêmicas fizeram do mês de outubro de 2009 o mês das ofensas em Portugal, atingindo em cheio o português no que tem de mais arraigado: orgulho e fé.
É verdade que é bem comum que um povo seja orgulhoso do que é, mesmo com todos os problemas que tenha uma nação. O português, porém, carrega um fardo que é a história do que foi Portugal, com uma saudade do que, a princípio, não é factível que ele venha ser. Bom, ninguém precisa ser a China ou os EUA, ao menos não novamente. E é neste novamente que dá aquele complexo de inferioridade de anjo decaído com o qual ninguém gosta de conviver.
Por falar nisto, a fé católica em Portugal é algo que já faz parte da lusitanidade. As razões históricas são profundas, meio óbvias e não cabem neste post. Mas o fato é que, por aqui, falar mal de algo que tenha a ver com a Igreja é falar mal de Portugal e, por extensão, do ser português. Isto não seria estranho se o Estado português não fosse auto-declaradamente laico. Portugal não é Israel, Irã e outros tantos estados cuja crença religiosa faz parte da lógica de governo. Até porque, é bom lembrar, no 25 de abril o país teve uma revolução comunista, não é verdade? Sim, mas, a lógica marxista não entrou “com bola e tudo”. Por isso, não admira que, no canal de televisão do Estado, haja até mesmo um programa de notícias da Igreja Católica.
Quanto à Maitê Proença não pretendo dar grandes vôos acerca da polêmica sobre o videozinho da atriz. Ela profanou história, cultura e fé portuguesas, logo, não espanta muito o resultado de sua infâmia. Mas, sinceramente, ela não merece grandes comentários. Muito menos a reação de marido traído que se teve em Portugal, pois um pouco de superioridade não teria feito mal a ninguém. Contudo, tenho que dizer que me senti particularmente ofendida pela atriz que, ao invés de se desculpar por sua falta de, sei lá, quase tudo, justifica seu comportamento com a frase “brasileiro é assim mesmo”. Diante disso, só posso concluir que seu problema é estrutural, o que a torna a atriz mais talentosa na arte de ofender povos.
Enfim, passemos ao melhor: Saramago. Afinal, nem se compara Maitê com Saramago. Isto porque, diferente do trabalho da Maitê, considero o trabalho do Nobel um dos mais respeitáveis.
Bem, Saramago é um escritor português ateu que se auto-exilou nas Canárias. Isto por si só já seria um prato cheio por aqui. Saramago, porém, foi mais longe e, no lançamnto de seu último romance, Caim, afirmou que a Bíblia é um manual de maus-costumes e que seríamos pessoas melhores se a Bíblia não existisse. Sua ênfase é sobre o Velho Testamento, o que levou a reações do bispado e de representantes do Judaismo.
Desta maneira, “em directo”, em plena hora do jantar e no telejornal das oito, a lusitanidade sofreu golpes profundos. Primeiro de uma atriz que em Portugal era muito querida. Depois, de um compatriota que se recusa a viver em território português por convicção política e que considera a fé católica prescindivel.
A desmesura, em ambos os casos, leva-nos a pensar que há algo mais profundo do que a mera aparência é capaz de nos mostrar. Na polêmica de Saramago, porém, fica mais evidente o modo como a fé católica faz parte do “ser português”. Um eurodeputado chegou a declarar que o escritor deveria abdicar de sua nacionalidade portuguesa, tal como ameaçou fazê-lo quando seu “O evangelho segundo Jesus Cristo” também foi pivô de outra grande polêmica envolvendo política e igreja. Neste contexto, sua veemente recusa à fé católica é vista como recusa à própria nacionalidade portuguesa.
Não sei, mas às vezes, desconfio que a idéia de um povo “escolhido” é uma questão mais séria do que se imagina e, pior, mais comum também…
Corpo e espírito 15 Outubro, 2009
Posted by Monica Carvalho in Isabel, Místicos, Reflexões.add a comment
Esta semana um professor católico que trabalha aqui no instituto falava a uma aluna acerca das relações corpo-espírito, em particular do modo como o espírito sofre os constrangimentos do corpo. Este tema está longe de ser uma novidade para mim. Em minha formação ecumênica sempre me deparei com esta questão. Mas, nunca, creio eu, me senti, eu-espírito, tão profundamente suscetível às vicissitudes impostas pelo meu corpo.
Não é simplesmente a idade, mas eu diria que é sim a idade e meu atual status de adulta-madura-responsável-independente-profissional-mãe-consciente-espiritualizada-decidida-autônoma-imigrante-cidadã que pesa toneladas sobre a minha alma. A vida, com tudo o que tenho direito – dia-a-dia, responsabilidades, corpo, relações, hemisfério do planeta, continente, distâncias, timing, karma, parece estar conspirando para a minha própria redenção espiritual. Logo, estou física, psíquica e espiritualmente muito cansada. No entanto, o corpo cansado e a vida sobrecarrecaga deixam qualquer espírito inseguro e reticente. Isto não é nada comparado com muitos descaminhos que existem por aí. Mas, a cada um seus próprios passos e fardos.
Claro que já estive cansada na minha vida. Isto já me aconteceu várias vezes. Contudo, hoje, preocupo-me mais com meu bem-estar físico e mental que antes, pois existe Isabel.
Ontem, por exemplo, me peguei preocupada com a possibilidade de eu vir a lhe faltar antes de ela ser adulta. Se isto acontecer, acredito que ela ficará muito bem com o pai, mas preocupo-me com as outras pessoas que podem diretamente influenciar na sua educação. Eu sei que estou longe de ser o exemplo perfeito de ser humano para ela. Mas, garanto, minha idéia de educação envolve um conjunto de aspectos que sei que a maior parte dos que ficarem ao seu lado não ligarão nem um pouco. Mas, também sei, este tipo de preocupação é apenas uma das muitas vicissitudes que meu corpo impõe ao meu espírito.
O que me vale agora é que reuno um arsenal de idéias, vivências, técnicas, livros, músicas, reflexões, conhecimentos deste e d’outro mundo que me levam a ver tudo ainda de forma otimista e confiante. Além disso, a cada dia que acordo, respiro fundo e oro para que tudo corra bem até o final do dia. Ah, e é claro, vejo Isabel sorrindo e tudo fica muito diferente.
Não sei como fazem os que não crêem em nada para além deste mundo e nem têm alguém que amem. Mas, suspeito de que seja o psiquiatra que acabe virando o centro de suas atenções…
Medida de transição 8 Outubro, 2009
Posted by Monica Carvalho in Emagrecer, Putz!.add a comment
Após emagrecer dezoito quilos desde o nascimento da Isabel, estou mais magra, melhor, menos gorda do que quando engravidei. Isto é bom por um lado, mas não é 100%. Eu ainda quero emagrecer mais para caber em certas roupas que ainda estão muito apertadas ou simplesmente nem entram.
Aliás, esta questão das roupas é que começa a me deixar doente. Não quero comprar, pois conto que vou emagrecer, mas ando numa escassez de roupas inacreditável. Tenho várias calças largas. Parece que justo agora que o tempo começa a ficar mais fresquinho que eu vou ter que usar mais saias até que algumas calças comecem a caber. Eu detesto quando entro nesta fase.
A história de Adi Dassler 30 Setembro, 2009
Posted by Monica Carvalho in Animação, Video.add a comment
This is the story of Adi Dassler, founder of adidas and one of the world’s most original thinkers. Set entirely in his workshop, this stop frame animation recounts some of his most important inventions and shows us the influence he’s had over sport as we know it today.The set was built to 1/3 scale and the correct materials were used in making each prop.
Publicidade do Compal goiaba 27 Setembro, 2009
Posted by Monica Carvalho in Portugal, Televisão Portuguesa, Trivia, Video.add a comment
Gostei muito, tanto cartazes como na TV.

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